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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Enxergando demais: os EUA e o Haiti

Os Estados Unidos enviaram cerca de 20 mil homens para auxiliar na (re)construção do Haiti. Nenhum país ou organização internacional realizou esforço similar seja em número de pessoal seja em maquinaria. E para provar que implicância pouca é bobagem, alguns acusam os país, além de militarizar a situação, de querer tomar posse do Haiti. Concordaria em gênero, número e grau houvesse algo de interessante no local. Já me repetindo, o Haiti é metade de uma Ilha com meia dúzia de belas praias ao Norte. Além disso, é só pobreza, miséria, analfabetismo e mais miséria e pobreza. Parece inquestionável a necessidade de haver sim força policial extra nas ruas. O que parece questionável é a idéia de militares brasileiros, querendo ensinar os costumes locais aos americanos, de fazer a distribuição de mantimentos com mulheres, porque a figura feminina tem muito respeito junto à população que a relaciona a figura materna. Isso realmente parece fantasioso num momento em que se ouve uma explosão de casos de estupro pela destruída capital Porto Príncipe. Melhor deixar aos americanos, cada um, fazendo o seu trabalho.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Transatlânticos continuam atracando no Haiti

Interessante notícia que a rotina de transatlânticos na costa norte do Haiti permanece inalterada. Navios como o Independence of the Seas e o Navigator of the Sea continuam despejando milhares de turistas no litoral do país. Labadee é o paraíso que procuram. O que não é, ao menos, ruim: o Haiti recebe 6 dólares por turista desembarcado.

Isto me recorda uma fala do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que foi o primeiro comandante da missão das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) entre junho de 2004 e setembro de 2005. Ele comentava, horrorizado, a miséria do país, o abandono, o lixo nas ruas, a violência. E, citou os turistas que chegam ao país nos transatlânticos. Para ele, muitos nem sabiam que estavam no Haiti. Eles só sabiam que estavam na Ilha Hispanhola, que forma o Haiti e a República Dominicana. O general citou, intrigado, o disparate entre a completa miséria que tomava o país e o cenário paradisíaco, onde nada faltava, donde atracavam os navios. Cenário, alias, perfeito para uma ressurreição popular.

domingo, 17 de janeiro de 2010

O dinheiro da ajuda internacional no Haiti

Segundo estimativa da Cruz Vermelha, a onda de terremotos no Haiti, que sacudiu a região da capital Porto Príncipe, atingiu três milhões de pessoas, um terço da população do país. Com o número de mortos sendo calculados entre 100 e 200 mil, isso representa que 1 em cada 30 pessoas na área mais atingida pela catástrofe morreram.

Muitas organizações internacionais, países, ONGs e celebridades se comprometeram em doar recursos para a reconstrução do Haiti. Ainda que seja complicada estipular exatamente quanto chegará ao bolso haitiano, a soma começa a ganhar vulto. Algo em torno de $1 bilhão. O que em qualquer país do mundo chama atenção para desvios e corrupção.

Em última instância, no caso da inoperância do já criticado governo de René Préval, pega-se o dinheiro e divide-se entre a população. Eles farão melhor uso.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O que restou do Haiti

Num lugar onde falta tudo, o terremoto no Haiti destruiu o que restava. Derrubou torres de telefonia, destruiu postos de atendimento, bloqueou ruas, e não deixa hospitais operáveis. Faltam água, comida, remédio, pessoal e equipamentos. 11 militares do Brasil morreram. A 12º vítima, a única civil, Zilda Arns é a mãe da Pastoral da Criança.

Em 2006, ela foi considerada para receber o prêmio Nobel da Paz. Ela e a Pastoral são constantemente lembrados e laureados mundialmente pelo trabalho em prol da assistência à criança.

O Haiti tem 80% da população vivendo com menos de 2 reais por dia, e mais de 50% da população analfabeta. Tem uma área similar a do estado de Alagoas, 27 mil km2, e 9 milhões de habitantes, pouco menos que o Paraná.

A missão de paz da ONU no Haiti, MINUSTAH, em atividade desde junho de 2004, tem na liderança cedida ao Brasil uma vedete da política externa do atual governo. Ao ponto de levarmos a seleção brasileira para um amistoso contra a seleção local. À época, o primeiro-ministro haitiano ofereceu mil dólares para quem marcasse um gol na partida perdida por 6x0.

Em dezembro de 2009, a MINUSTAH contava com um efetivo de 9.057 pessoas entre policiais e tropas de 47 países. O Brasil lidera com 1.273 homens e 7 mulheres. Logo seguido pelo pequeno Nepal com 1.236 pessoas, o Uruguai com 1.136 e a Jordânia com 1.062.

Os olhos do mundo, aparentemente, se voltam, momentaneamente, para o Haiti, enquanto o país é mais uma vez devastado por mais uma tragédia natural. Enquanto se fala em 100 mil mortos, 1% da população, quase 2 milhões de pessoas se fosse no Brasil, não se encontra palavras para descrever a barbárie que tomou o país.