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sexta-feira, 19 de março de 2010

Arquiteto de grandes obras, pianista de grande talento

O público quase integralmente sexagenário lotou o auditório do Centro Cultural Justiça Federal para a apresentação do pianista Robert Fuchs, no projeto Música no Museu. Nascido em 1939, após dedicar grande parte de sua vida a arquitetura, agora retoma com força a dedicação à música. Em 2009, ficou entre o três primeiros no concurso internacional de grandes pianistas amadores. A final aconteceu na tradicional Salle Gaveau, em Paris. RIO DE MÚSICA conferiu o espetáculo do projetista do Barra Shopping que executou Mozart, Beethoven, Chopin(2), Villa Lobos, Shostakovitch e Bela Bartok.

Fuchs entusiasmava-se com a companhia do neto mais velho, Teo, no palco que o assistiu nos dois primeiros números. Após alguns bocejos, o menino de uns seis anos voltou à família na platéia. A apresentação iniciada com a “Fantasia KV 475”, de 1785, do gênio austríaco Wolfgang Mozart (1756-1791) ganhou o público após a execução da “Sonata op. 27 nº2, de 1814, do igualmente gênio alemão Ludwig Van Beethoven seguido do tradicional “bravo” após o ato. Aniversariante do mês, completando 200 anos, Frédéric Chopin (1810-1849) foi tocado duas vezes. “Noturno op.32 nº1”, de 1836, foi recebida de maneira morna ao contrário da primeira das quatro baladas do compositor “Balada nº1 op.23”, de 1836, que cativou a audiência.

Tal qual na final parisiense, Fuchs apresentou “Impressões Seresteiras” de Heitor Villa Lobos (1887-1959). Seguiu-se com a suíte “Dança das Bonecas”, de 1952, do russo Dmitri Shostakovitch (1906-1975) encerrando com a incomum aos palcos cariocas “Danças Populares Romenas”, de 1915, do húngaro Bela Bartok (1881-1945).

No momento do bis, tal como no dia anterior, boa parte do público foi embora, o que é estranho visto que todos estão ali por livre e espontânea vontade. Na volta, Fuchs continuou a homenagem a Chopin a quem disse “que nunca encontrou alguém que não gostasse”. O pianista agora segue para a China onde tem apresentações marcadas.

Ex-roqueiro ítalo argentino encanta com erudito no CCJF

Um dos fundadores do rock argentino, integrante da banda Los Gatos (1967-1970), Gaetano Galifi apresentou-se ao violão, nesta quinta-feira, dentro do projeto Música no Museu, no Centro Cultural Justiça Federal. RIO DE MÚSICA conferiu o concerto em que Galifi tocou, de sua autoria, seis músicas e uma suíte em três atos além de Bach, Paganini e Chopin.

Italiano da Sicília, nascido em 1948, com um ano mudou-se para a Argentina onde viveu as duas décadas seguintes. Lá foi influenciado pela música espanhola que além de dominar o país era admirada por sua mãe. Ao final do período, veio, em definitivo, para o Brasil.

Galifi abriu o espetáculo com uma seqüência de quatro músicas de composição própria. “O Demônio”, “Pêgaso, o cavalo alado”, “Baião do Padre Cícero”, inspirada num documentário sobre o religioso, e “O blues do gafanhoto”, uma brincadeira com um aluno.

Exigente, o público, que aplaudia admirado, só se rendeu de vez quando Galifi executou os clássicos. Do alemão Johan Bach (1685-1750) adaptou o "Preludio 995" para alaúde ao violão, bem como o "Capricho nº15" para violino do italiano Niccolò Paganini (1782-1840). Ele fez questão de destacar a beleza e a dificuldade de execução do "Noturno nº2", do pianista polaco Fréderic Chopin (1810-1849). Após a execução, “bravos” e “belíssimos” se espalharam pelo auditório.

Sua música é inspirada em personagens do cotidiano. Ora um professor como em “Ares Flamenco”, ora a infância e a família como em “Lembranças da Espanha”. Ambas compunham o repertório em homenagem ao país. Ao final de “Ares Flamenco”, da platéia cativada ouviu-se um empolgado “Olé!”.

A Suíte Mistérios, uma homenagem a uma companheira, taróloga, com quem vivia, ressaltando que Galifi é astrólogo, proporcionou uma viagem de sentidos. Explorando todas as possibilidades do violão, executou “A floresta sagrada”, “O vale da Lua” e “O desfiladeiro dos demônios”. Foi aplaudidíssimo de pé.

Incompreensível foi atitude de boa parte do público que foi embora no momento do bis. Tendo em vista que ninguém demonstrava menos que plena admiração do espetáculo. Perderam uma boa toada em que Galifi propôs juntar a música country americana com elementos do banjo.

O Música no Museu é excelente, uma das melhores atitudes que existem no país. Para criticar qualquer situação, acho obrigatório fazer quinhentas ressalvas sobre o quão boa é a iniciativa. Agora o músico tem que estar no meio da sala. Sua cadeira tendia para um dos lados do ambiente o que praticamente impedia toda uma seção do público de vê-lo. Visto que Galifi não estava em nenhuma plataforma e sim no mesmo nível da platéia. As cabeças do pessoal à frente tapavam a visão dos que estavam atrás.

O responsável pela filmagem tem que ser mais zeloso com a sua atividade. Entrar e sair da sala durante o número fazendo barulho chama a atenção negativamente da audiência. Desligar a câmera na hora do bis chama a atenção do músico que visivelmente se viu constrangido. Não sei o destino das imagens, mas não precisa desmerecer a tal ponto.

Felizmente, fica é um excelente show, de um músico extraordinário, altamente recomendável.