Por descuido e ignorância, vimos apenas três das quatro mostras em cartaz.
De passagem, a espera do início de um espetáculo teatral, circulei pelas salas e corredores do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), atrás das exposições em cartaz. Pude contemplar três mostras (1) Reciclando o Olhar, de Sergio César; (2) 58: Meio Século de Glória, com a curadoria de Fernando Maia; e, (3) Destaques do fotojornalismo internacional – As melhores fotografias do Festival Scoop d’Angers, com o melhor dos últimos 20 anos do festival francês. Infelizmente, não percebi no último andar, a exposição Cavalo de Santo, da fotógrafa Mirian Fichtner, sobre o batuque e a umbanda no Rio Grande do Sul.
Sergio César é um artista plástico de origem humilde, filho de gente do povo, que teve que fazer um esforço maior para poder se fazer visível num mundo tão elitisado quanto o da arte. Mas, felizmente, não é isso que qualifica o seu trabalho. No hall do prédio do CCJF, está a primeira das 25 maquetes que compõem a mostra Reciclando o Olhar. A obra de abertura é uma secção de 6m2 do original de 64m2 montado para a abertura da novela da Rede Globo, Duas Caras. Todas as peças são representações de habitações populares cariocas. Universo tão bem dominado por Sergio. O artista faz do papelão, do lixo, a sua arte. As maquetes surpreendem pela riqueza de detalhes e referências culturais. As obras contam com iluminação própria, se apresentam vivas aos olhos do espectador. Sem soar piegas, Sergio recicla a cidade ao representar seu lado marginalizado em ornamentos tão bem requintados com o lixo.
Duas mostras dividem o primeiro andar do prédio. Em 58: meio século de glória, através do material da Agência O Globo, o curador, o fotógrafo Fernando Maia, tenta recriar as emoções, cinqüenta anos depois, da conquista da nossa primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia. A idéia de retomar as glórias da vitória está presente por todos os lados do cotidiano; na tv aberta e fechada, nos jornais, nas revistas, e, até, no cinema. A mostra, por sua vez, não acrescenta nada de novo. Vale o registro das 43 imagens expostas, mas reina uma certa desorganização na disposição da material. Como em uma das salas, onde são projetadas fotos do torneio junto ao áudio da narração de um jogo da seleção brasileira. O espectador não sabe nada sobre as fotos, nem sobre o jogo narrado. Sem somar ao já relatado sobre o campeonato, e aliado as confusões na organização do material, a mostra ainda vale como registro num país que tende a ter memória curta, mas não rende como material de valor histórico.
Ao seu lado a mostra Destaques do fotojornalismo internacional – As melhores fotografias do Festival Scoop d’Angers, traz as melhores fotos do festival francês nas últimas duas décadas. A exposição não tem a qualidade que se imagina para uma retrospectiva fotográfica. Nas mais de cem fotos exibidas, somente cerca de trinta guardam um valor digno do registro. No mais são explorações da pobreza, da miséria, e dos horrores da violência. São registros fortes, mas “fáceis”. Não guardam a magia do saber olhar na torre de babel globalizada. Passou o tempo, o teatro começou. Ficou a arte do Sergio César. A lembrança da Copa de 58. E, o vazio sobre o festival de fotos.
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sexta-feira, 27 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
“Lar...”, em cartaz, no Centro Cultural Laura Alvim, deixa a desejar.
Quarta à noite. Teatro em Ipanema. Preço convidativo. Nem sempre um bom programa.
A idéia era simples. Fugir do primeiro jogo da final da Taça Libertadores de 2008 entre LDU, do Equador, e Fluminense. Era preciso estar fora da realidade do mundo no horário do jogo. Era preciso uma peça de teatro que fosse tarde. E, que não fosse cara, afinal dinheiro não nasce em árvore, e semana que vem, tem o segundo jogo, ou seja, mais despesas. O denominador comum dessa equação indicou um vencedor, a peça “Lar...”, em cartaz, no Centro Cultural Laura Alvim, em Ipanema. Custava dez reais (meia), e começava às 21h. Ainda que acabasse pouco depois do início do jogo, até se rodar pela cidade e chegar em casa, a partida já teria se encerrado.
Partindo-se do total desconhecimento, qualquer coisa é coisa. A peça é de humor, ponto. E, um dos seus autores é o Fernando Caruso, que é um cara engraçado, escreve bons textos, outro ponto. De resto, breu. Foram quase uma hora de teatro, mais o atraso para o início. Foi bom para não ver o jogo. Sobre a peça. Então, sobre a peça. São três atos, escritos por três autores, em momentos diferentes. Um escreveu o primeiro (César Amorim), então coube ao segundo (Renata Mizrahi) dar a continuação, e, ao último (Fernando Caruso), o encerramento, já tendo os outros atos sidos escritos. Vinícius Arneiro, indicado ao prêmio Shell de direção, em 2007, por outra peça, e Diego Molina dividem a condução do espetáculo. O interessante da encenação é que, antes de cada ato, é exibido um vídeo de cada autor explicando a sua parte. Ponto positivo para a sinergia entre as atrizes no palco. Apesar da disparidade do talento de Tatjana Vereza, com suas colegas de palco, Tatyanne Lauria e Talita Werneck, as três tem uma ótima química juntas. Ainda assim, falta qualidade para salvar a peça do seu fraco texto. A um espetáculo que se propõe expor uma vida numa loja de acessórios para casa, com patrocínio de lojas do ramo, é inadmissível o cenário capenga, com objetos feios e sem graça adornando o palco.
Talvez o que mais tenha me incomodado, ou agradado, foi o extremo entusiasmo de várias pessoas na platéia. Muitos amigos das atrizes. Risos em seriados de televisão são interessantes, são estimulantes ao sorriso. Isto porque, o seriado, mesmo que mínima, tem graça. “Lar...” não, é fraco. Injustiça minha, (quase) ri em umas três falas. Ainda assim, sempre tendo ver as coisas pelo lado positivo. Como a boa atuação de Tatjana Vereza, e de Diego Becker (que entra em diversas passagens com diferentes personagens). Além de cenas no texto de Fernando Caruso, principalmente no começo do terceiro ato, quando ele ainda tinha paciência para escrever. Parece que depois, Caruso ficou irritado com o trabalho, e deu a solução mais fácil aos personagens. (spoiler) Num ato ríspido, ele leva as atrizes a cometerem suicídio. Diante tal fim, quase fiz o mesmo. Por dez reais, fico pensando se teria sido mais fácil assistir ao jogo. O pior foi não ter conseguido ver a exposição do XIX Salão Carioca de Humor, também no Laura Alvim. Quando cheguei não percebi a entrada para a mostra. E, quando sai, a sala já estava fechada. Pela economia dessa quarta, na próxima semana, no segundo jogo da final da Taça Libertadores, guardo a certeza (e o dinheiro) de / para um bom programa.
A idéia era simples. Fugir do primeiro jogo da final da Taça Libertadores de 2008 entre LDU, do Equador, e Fluminense. Era preciso estar fora da realidade do mundo no horário do jogo. Era preciso uma peça de teatro que fosse tarde. E, que não fosse cara, afinal dinheiro não nasce em árvore, e semana que vem, tem o segundo jogo, ou seja, mais despesas. O denominador comum dessa equação indicou um vencedor, a peça “Lar...”, em cartaz, no Centro Cultural Laura Alvim, em Ipanema. Custava dez reais (meia), e começava às 21h. Ainda que acabasse pouco depois do início do jogo, até se rodar pela cidade e chegar em casa, a partida já teria se encerrado.
Partindo-se do total desconhecimento, qualquer coisa é coisa. A peça é de humor, ponto. E, um dos seus autores é o Fernando Caruso, que é um cara engraçado, escreve bons textos, outro ponto. De resto, breu. Foram quase uma hora de teatro, mais o atraso para o início. Foi bom para não ver o jogo. Sobre a peça. Então, sobre a peça. São três atos, escritos por três autores, em momentos diferentes. Um escreveu o primeiro (César Amorim), então coube ao segundo (Renata Mizrahi) dar a continuação, e, ao último (Fernando Caruso), o encerramento, já tendo os outros atos sidos escritos. Vinícius Arneiro, indicado ao prêmio Shell de direção, em 2007, por outra peça, e Diego Molina dividem a condução do espetáculo. O interessante da encenação é que, antes de cada ato, é exibido um vídeo de cada autor explicando a sua parte. Ponto positivo para a sinergia entre as atrizes no palco. Apesar da disparidade do talento de Tatjana Vereza, com suas colegas de palco, Tatyanne Lauria e Talita Werneck, as três tem uma ótima química juntas. Ainda assim, falta qualidade para salvar a peça do seu fraco texto. A um espetáculo que se propõe expor uma vida numa loja de acessórios para casa, com patrocínio de lojas do ramo, é inadmissível o cenário capenga, com objetos feios e sem graça adornando o palco.
Talvez o que mais tenha me incomodado, ou agradado, foi o extremo entusiasmo de várias pessoas na platéia. Muitos amigos das atrizes. Risos em seriados de televisão são interessantes, são estimulantes ao sorriso. Isto porque, o seriado, mesmo que mínima, tem graça. “Lar...” não, é fraco. Injustiça minha, (quase) ri em umas três falas. Ainda assim, sempre tendo ver as coisas pelo lado positivo. Como a boa atuação de Tatjana Vereza, e de Diego Becker (que entra em diversas passagens com diferentes personagens). Além de cenas no texto de Fernando Caruso, principalmente no começo do terceiro ato, quando ele ainda tinha paciência para escrever. Parece que depois, Caruso ficou irritado com o trabalho, e deu a solução mais fácil aos personagens. (spoiler) Num ato ríspido, ele leva as atrizes a cometerem suicídio. Diante tal fim, quase fiz o mesmo. Por dez reais, fico pensando se teria sido mais fácil assistir ao jogo. O pior foi não ter conseguido ver a exposição do XIX Salão Carioca de Humor, também no Laura Alvim. Quando cheguei não percebi a entrada para a mostra. E, quando sai, a sala já estava fechada. Pela economia dessa quarta, na próxima semana, no segundo jogo da final da Taça Libertadores, guardo a certeza (e o dinheiro) de / para um bom programa.
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