Baseado no projeto de Ítalo Rossi, falecido em agosto passado, a peça C'est la Vie, encarna a personagem da solitária urbana que encontra refúgio em chamadas para o Disque-Denúncia. Tem montagem num cenário que funciona na Casa da Gávea, com boa atuagem do trio: Ester Jablonski (jornalista que lidera a produção), Adriano Garib e Zemanuel Piñero. Texto de Marcelo Rubens Paiva. Vale a pena. Cabe a observação, fruto da insanidade da lei de meia-entrada, que faz o valor de final-de-semana, para garantir a rentabilidade no pequeno espaço, ser fora de realidade, dada a dimensão da montagem: R$60.
Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Se testando em novos palcos, “Comédia em pé” tem tudo para ser o Cats carioca.
Tal como Einstein, peça mostra que o humor também é relativo, depende do público.
Fazer humor, ao contrário do que alguns possam imaginar, não é fácil. É bem difícil, aliás. Isto porque, não existe uma lei que determine o que é engraçado e o que não é. Tudo depende de quem vê, lê ou ouve. Se for um programa de tv, quem não gosta muda o canal. Se for um livro, não lê. E se for uma peça de teatro? Não ri. Pronto, acabou a diversão para todo mundo. O riso é contagiante. Não são, sem razão, as risadas enlatadas em seriados. Aquilo acaba funcionando. Inconsciente, nós acabamos aceitando que a piada é engraçada. E, voltando ao teatro, se a pessoa não ri, por analogia, nós aceitamos que a piada não é engraçada. Mesmo que pensemos o contrário. “Comédia em pé” agora em cartaz, também, no Teatro Miguel Fallabela, no Norte Shopping, testa seu humor a cada apresentação. E, às vezes, pode ser que acabe perdendo.
A proposta do Comédia é bem simples. Falar sobre o cotidiano de forma engraçada. Só que ao contrário de uma peça de humor, ela é uma apresentação de piadas. Pelo menos a forma mais próxima de definir o espetáculo é como um conto de piadas. E se as pessoas não riem, a animação cai. Porque não tem uma encenação para continuar seu enredo, independente de tudo e todos que estão assistindo. O que tem é um cara que dialoga com o público e se este público não responde, não tem conversa. Acaba o assunto. E, em casa nova, com menos de 20% da lotação, o Comédia caiu. Não que não fosse engraçado. Mas ouvindo o eco das poucas pessoas, o vazio se fazia mais presente. O que é engraçado fica meia-boca. O que não é muito divertido fica sem graça. A peça pede público, ela necessita disso. Pode ser que num futuro, não tão distante, quando não estiver muito cheio, eles coloquem umas risadas prontas no fundo.
No palco, Cláudio Torres Gonzaga faz o papel do mediador do encontro. Talvez por ser o mais engraçado de todos. O que menos precise de recursos corpóreos e piadas de anatomia para arrancar algumas risadas. Fábio Porchat é bem histriônico, mas faz o seu papel. Fernando Caruso é econômico, mas bom. E Paulo Carvalho é o amigo dos três. Sabe o amigo. Então é o amigo. O quarteto sempre recebe um convidado. Quanto ao convidado, isso depende da noite que você for. Mas por via das dúvidas é melhor conferir no site da trupe para saber sobre quem vai. Aproveite a internet e imprima o panfleto que faz a peça custar mais barato que meia-entrada ($18). Se preferir, ir na quinta ou sexta-feira no Norte Shopping, neste caso a meia é mais econômica ($15).
A comédia em pé, o stand-up comedy, tem tudo para pegar no Brasil. É um formato simples de se construir, barato, que depende apenas do talento individual do apresentador. E contar piada é um dom que muito brasileiro tem. Não gosto muito dessas máximas alemão é assim, argentino é assado. Mas, há de se convir que brasileiro sabe rir da própia cara. Da própia miséria, da própia besteira. E o interessante da comédia em pé, como eles mesmos assumem no início, é quem não tem nada disso. Não acrescenta nada é puro besteirol. Talvez por isso seja tão engraçado. E de tão certo. Desde de que com o público adequado.
Fazer humor, ao contrário do que alguns possam imaginar, não é fácil. É bem difícil, aliás. Isto porque, não existe uma lei que determine o que é engraçado e o que não é. Tudo depende de quem vê, lê ou ouve. Se for um programa de tv, quem não gosta muda o canal. Se for um livro, não lê. E se for uma peça de teatro? Não ri. Pronto, acabou a diversão para todo mundo. O riso é contagiante. Não são, sem razão, as risadas enlatadas em seriados. Aquilo acaba funcionando. Inconsciente, nós acabamos aceitando que a piada é engraçada. E, voltando ao teatro, se a pessoa não ri, por analogia, nós aceitamos que a piada não é engraçada. Mesmo que pensemos o contrário. “Comédia em pé” agora em cartaz, também, no Teatro Miguel Fallabela, no Norte Shopping, testa seu humor a cada apresentação. E, às vezes, pode ser que acabe perdendo.
A proposta do Comédia é bem simples. Falar sobre o cotidiano de forma engraçada. Só que ao contrário de uma peça de humor, ela é uma apresentação de piadas. Pelo menos a forma mais próxima de definir o espetáculo é como um conto de piadas. E se as pessoas não riem, a animação cai. Porque não tem uma encenação para continuar seu enredo, independente de tudo e todos que estão assistindo. O que tem é um cara que dialoga com o público e se este público não responde, não tem conversa. Acaba o assunto. E, em casa nova, com menos de 20% da lotação, o Comédia caiu. Não que não fosse engraçado. Mas ouvindo o eco das poucas pessoas, o vazio se fazia mais presente. O que é engraçado fica meia-boca. O que não é muito divertido fica sem graça. A peça pede público, ela necessita disso. Pode ser que num futuro, não tão distante, quando não estiver muito cheio, eles coloquem umas risadas prontas no fundo.
No palco, Cláudio Torres Gonzaga faz o papel do mediador do encontro. Talvez por ser o mais engraçado de todos. O que menos precise de recursos corpóreos e piadas de anatomia para arrancar algumas risadas. Fábio Porchat é bem histriônico, mas faz o seu papel. Fernando Caruso é econômico, mas bom. E Paulo Carvalho é o amigo dos três. Sabe o amigo. Então é o amigo. O quarteto sempre recebe um convidado. Quanto ao convidado, isso depende da noite que você for. Mas por via das dúvidas é melhor conferir no site da trupe para saber sobre quem vai. Aproveite a internet e imprima o panfleto que faz a peça custar mais barato que meia-entrada ($18). Se preferir, ir na quinta ou sexta-feira no Norte Shopping, neste caso a meia é mais econômica ($15).
A comédia em pé, o stand-up comedy, tem tudo para pegar no Brasil. É um formato simples de se construir, barato, que depende apenas do talento individual do apresentador. E contar piada é um dom que muito brasileiro tem. Não gosto muito dessas máximas alemão é assim, argentino é assado. Mas, há de se convir que brasileiro sabe rir da própia cara. Da própia miséria, da própia besteira. E o interessante da comédia em pé, como eles mesmos assumem no início, é quem não tem nada disso. Não acrescenta nada é puro besteirol. Talvez por isso seja tão engraçado. E de tão certo. Desde de que com o público adequado.
Marcadores:
Comédia em Pé,
Grandes Atores,
Teatro
quarta-feira, 2 de julho de 2008
“Le Fin de Terres”, da cia. Philippe Genty, é um colírio aos olhos
Peça da 6º FIL é uma das inúmeras atrações voltadas ao público infantil.
Dar uma chance à revitalização do centro da cidade pode ser o início de um excelente programa. Dentro da programação do 6º Festival Intercâmbio de Linguagens, voltado ao público infantil, vários teatros da região central do Rio de Janeiro foram escalados para a encenação das peças. O Centro Cultural Banco do Brasil, o Caixa Cultural e o João Caetano. No fim-de-semana de estréia, o grande destaque foi a montagem de “Le Fin de Terres”, pela companhia francesa Philippe Genty, no centenário palco da Praça Tiradentes. Mais do que destaque da estréia, a peça tem tudo para ser a grande atração do festival.
Ainda antes do início, na rua, centenas das pessoas que aguardavam para entrar no teatro acompanhavam o ensaio de uma companhia de dança num casarão perto. Ao lado do João Caetano, de frente para o Real Gabinete Português de Literatura, no Centro Cultural Carioca, a companhia ensaiava um samba. A princípio, o espetáculo “Bota a Baixo”, tem estréia prevista para nove de agosto. Passados meia-hora, o povo toma rumo ao evento principal da noite.
Sem o recurso do diálogo, através da exploração de um universo de cores, luzes, bonecos e mágica, o espetáculo é rico, dinâmico e inteligente. Apesar de voltado a crianças, não haverá adultos que resistiram aos encantos da encenação. Desde 1968, quando criou a companhia, Philippe Genty vem aprimorando a técnica da trupe no exercício da imaginação infantil. O veterano ator traz ao palco mais seis camaradas, além de três técnicos responsáveis pelas complexas transições no espetáculo. Desde o primeiro minuto, o público é convidado a uma série de trocas entre personagens e atores, e de bonecos e atores. De modo que não se sabe onde um saiu para a entrada do outro. A magia é tão intensa que por vezes se esquece que se está num teatro. Mais do que os efeitos do cinema, a peça leva o espectador a uma outra dimensão sensorial. “Le Fin de Terres” é dessas apresentações que elevam o teatro a um outro patamar.
A luz intelectual provedora da peça se deve ao próprio Philippe Genty e a Emmanuel Laborde. Ambos mostram uma sintonia única na concepção visual do belíssimo espetáculo. Um contraste de luzes com objetos e atores fascinantes. Não menos especial é a música criada por Serge Houppin e Henry Torgue. Se não há falas durante a encenação, a lógica se constrói muito graças à genialidade musical. Que cai como uma luva às esquetes do roteiro. A sintonia tanto das luzes quanto da música com o desenrolar no palco faz a diferença para construção desse grande espetáculo.
A peça que esse ano se apresentou na Áustria e na Itália, no Brasil visita, além do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Londrina e Florianópolis. E deve passar pela Austrália no fim do ano. Pela 6º FIL, são esperadas outras atrações internacionais. Além de Philippe Genty, estão programadas companhias da Alemanha, Israel, Bélgica, e outra francesa. Alguns espetáculos serão casados com grupos teatrais brasileiros, e serão apresentados como “Work In Progress”(ainda em desenvolvimento). Bom divertimento
Dar uma chance à revitalização do centro da cidade pode ser o início de um excelente programa. Dentro da programação do 6º Festival Intercâmbio de Linguagens, voltado ao público infantil, vários teatros da região central do Rio de Janeiro foram escalados para a encenação das peças. O Centro Cultural Banco do Brasil, o Caixa Cultural e o João Caetano. No fim-de-semana de estréia, o grande destaque foi a montagem de “Le Fin de Terres”, pela companhia francesa Philippe Genty, no centenário palco da Praça Tiradentes. Mais do que destaque da estréia, a peça tem tudo para ser a grande atração do festival.
Ainda antes do início, na rua, centenas das pessoas que aguardavam para entrar no teatro acompanhavam o ensaio de uma companhia de dança num casarão perto. Ao lado do João Caetano, de frente para o Real Gabinete Português de Literatura, no Centro Cultural Carioca, a companhia ensaiava um samba. A princípio, o espetáculo “Bota a Baixo”, tem estréia prevista para nove de agosto. Passados meia-hora, o povo toma rumo ao evento principal da noite.
Sem o recurso do diálogo, através da exploração de um universo de cores, luzes, bonecos e mágica, o espetáculo é rico, dinâmico e inteligente. Apesar de voltado a crianças, não haverá adultos que resistiram aos encantos da encenação. Desde 1968, quando criou a companhia, Philippe Genty vem aprimorando a técnica da trupe no exercício da imaginação infantil. O veterano ator traz ao palco mais seis camaradas, além de três técnicos responsáveis pelas complexas transições no espetáculo. Desde o primeiro minuto, o público é convidado a uma série de trocas entre personagens e atores, e de bonecos e atores. De modo que não se sabe onde um saiu para a entrada do outro. A magia é tão intensa que por vezes se esquece que se está num teatro. Mais do que os efeitos do cinema, a peça leva o espectador a uma outra dimensão sensorial. “Le Fin de Terres” é dessas apresentações que elevam o teatro a um outro patamar.
A luz intelectual provedora da peça se deve ao próprio Philippe Genty e a Emmanuel Laborde. Ambos mostram uma sintonia única na concepção visual do belíssimo espetáculo. Um contraste de luzes com objetos e atores fascinantes. Não menos especial é a música criada por Serge Houppin e Henry Torgue. Se não há falas durante a encenação, a lógica se constrói muito graças à genialidade musical. Que cai como uma luva às esquetes do roteiro. A sintonia tanto das luzes quanto da música com o desenrolar no palco faz a diferença para construção desse grande espetáculo.
A peça que esse ano se apresentou na Áustria e na Itália, no Brasil visita, além do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Londrina e Florianópolis. E deve passar pela Austrália no fim do ano. Pela 6º FIL, são esperadas outras atrações internacionais. Além de Philippe Genty, estão programadas companhias da Alemanha, Israel, Bélgica, e outra francesa. Alguns espetáculos serão casados com grupos teatrais brasileiros, e serão apresentados como “Work In Progress”(ainda em desenvolvimento). Bom divertimento
segunda-feira, 30 de junho de 2008
“Os Especialistas”, no CCJF, trás uma visão americana contra à guerra no Iraque.
No afã do alarde a banalidade da guerra, texto acaba caindo na crítica barata.
A idéia me parecia difícil para um peça de teatro. Um grupo de oficiais recebe uma ordem para executar um líder do Oriente Médio. Soa mais como um filme hollywoodiano. Mas, com uma boa direção e técnica apurada, Os Especialistas, em cartaz, no Centro Cultural Justiça Federal, consegue “romper” esse preconceito com o teatro para encenar um bom thriller. Com o texto do americano Adriano Shaplin e direção de Bárbara Bruno, o espetáculo, com altos e baixos, é uma feliz montagem para a dramaturgia política.
Escrita no começo da guerra do Iraque, em 2004, ainda sob a sombra do 11 de Setembro, a peça trabalha o modelo belicista (quase que) sistêmico norte-americano. No espetáculo, cada ator incorpora um caráter do soldado americano. O entusiasta-patriótico, o robô-obediente, o defensor da ética, e o capitão-que-age-por-de-trás-dos-panos. Essa ciranda é perfeita para o texto, as vezes irônico as vezes bobo, mas sempre espinhoso de Shaplin. Ao sair do teatro, fica-se com uma impressão mista da boa peça, mas que poderia ser mais trabalhada. Ser piegas é o pior que pode acontecer num texto deste nível. Shaplin não chega a escorregar tanto, contudo mostra que precisa ser mais lapidado para alcançar um patamar de irrefutabilidade. Onde a crítica se sustenta por sua maturidade e coerência.
No palco, os quatro atores mostram sintonia. Em alguns momentos, entretanto, ocorreram deslizes de atuação, mas não chegaram a comprometer o resultado da peça. A direção e a técnica são boas. Destaque para a atuação de Augusto Zacchi, na pele do inquieto tenente Freud. Taciana Barros (tenente Stein), Vinícius Vommaro (tenente Studdard) e Gustavo Rodrigues (coronel Rodrigues) vestem bem os personagens que lhes cabem. De toda a equipe, entretanto, Zacchi é o único que consegue acrescentar ao texto do espetáculo. Ele dá vida extra a encenação. Bárbara Bruno, filha de Nicette Bruno, conduz com segurança a peça de uma hora e vinte minutos. Ponto para a ótima encenação de uma cena de sexo entre os tenentes Stein e Freud. Sem vulgaridade, os atores passam a mensagem (ainda que desnecessária) com a riqueza que lhe é pertinente. A encenação foge (felizmente) ao censo comum da dramaturgia brasileira onde cena de sexo exige dois atores nus levando as últimas conseqüências seus atos diante uma platéia ninfomaníaca ou perplexa pelo exagero das ações.
Em Os especialistas, o final compromete. Todo o trabalho encenado ao longo da peça parece apressadamente finalizado. A necessidade de Adriano Shaplin de criticar o modelo americano acaba levando-o a uma precipitação, um deslize no enredo, um encerramento desnecessário. Por vezes, a certeza da certeza gera um “tapeamento”. O autor se sente tão convicto de sua teoria que leva a encenação a patamares (quase) inconcebíveis da atuação norte-americana num conflito. Ainda assim, por ser bem apresentada, convence (muitos) espectadores das rotinas apresentadas no palco. Os Especialistas é um bom programa, num ponto que sabe valorizar a cultura (CCJF) e, melhor, com um bom preço (R$20 / 10 a meia).
A idéia me parecia difícil para um peça de teatro. Um grupo de oficiais recebe uma ordem para executar um líder do Oriente Médio. Soa mais como um filme hollywoodiano. Mas, com uma boa direção e técnica apurada, Os Especialistas, em cartaz, no Centro Cultural Justiça Federal, consegue “romper” esse preconceito com o teatro para encenar um bom thriller. Com o texto do americano Adriano Shaplin e direção de Bárbara Bruno, o espetáculo, com altos e baixos, é uma feliz montagem para a dramaturgia política.
Escrita no começo da guerra do Iraque, em 2004, ainda sob a sombra do 11 de Setembro, a peça trabalha o modelo belicista (quase que) sistêmico norte-americano. No espetáculo, cada ator incorpora um caráter do soldado americano. O entusiasta-patriótico, o robô-obediente, o defensor da ética, e o capitão-que-age-por-de-trás-dos-panos. Essa ciranda é perfeita para o texto, as vezes irônico as vezes bobo, mas sempre espinhoso de Shaplin. Ao sair do teatro, fica-se com uma impressão mista da boa peça, mas que poderia ser mais trabalhada. Ser piegas é o pior que pode acontecer num texto deste nível. Shaplin não chega a escorregar tanto, contudo mostra que precisa ser mais lapidado para alcançar um patamar de irrefutabilidade. Onde a crítica se sustenta por sua maturidade e coerência.
No palco, os quatro atores mostram sintonia. Em alguns momentos, entretanto, ocorreram deslizes de atuação, mas não chegaram a comprometer o resultado da peça. A direção e a técnica são boas. Destaque para a atuação de Augusto Zacchi, na pele do inquieto tenente Freud. Taciana Barros (tenente Stein), Vinícius Vommaro (tenente Studdard) e Gustavo Rodrigues (coronel Rodrigues) vestem bem os personagens que lhes cabem. De toda a equipe, entretanto, Zacchi é o único que consegue acrescentar ao texto do espetáculo. Ele dá vida extra a encenação. Bárbara Bruno, filha de Nicette Bruno, conduz com segurança a peça de uma hora e vinte minutos. Ponto para a ótima encenação de uma cena de sexo entre os tenentes Stein e Freud. Sem vulgaridade, os atores passam a mensagem (ainda que desnecessária) com a riqueza que lhe é pertinente. A encenação foge (felizmente) ao censo comum da dramaturgia brasileira onde cena de sexo exige dois atores nus levando as últimas conseqüências seus atos diante uma platéia ninfomaníaca ou perplexa pelo exagero das ações.
Em Os especialistas, o final compromete. Todo o trabalho encenado ao longo da peça parece apressadamente finalizado. A necessidade de Adriano Shaplin de criticar o modelo americano acaba levando-o a uma precipitação, um deslize no enredo, um encerramento desnecessário. Por vezes, a certeza da certeza gera um “tapeamento”. O autor se sente tão convicto de sua teoria que leva a encenação a patamares (quase) inconcebíveis da atuação norte-americana num conflito. Ainda assim, por ser bem apresentada, convence (muitos) espectadores das rotinas apresentadas no palco. Os Especialistas é um bom programa, num ponto que sabe valorizar a cultura (CCJF) e, melhor, com um bom preço (R$20 / 10 a meia).
quinta-feira, 26 de junho de 2008
“Lar...”, em cartaz, no Centro Cultural Laura Alvim, deixa a desejar.
Quarta à noite. Teatro em Ipanema. Preço convidativo. Nem sempre um bom programa.
A idéia era simples. Fugir do primeiro jogo da final da Taça Libertadores de 2008 entre LDU, do Equador, e Fluminense. Era preciso estar fora da realidade do mundo no horário do jogo. Era preciso uma peça de teatro que fosse tarde. E, que não fosse cara, afinal dinheiro não nasce em árvore, e semana que vem, tem o segundo jogo, ou seja, mais despesas. O denominador comum dessa equação indicou um vencedor, a peça “Lar...”, em cartaz, no Centro Cultural Laura Alvim, em Ipanema. Custava dez reais (meia), e começava às 21h. Ainda que acabasse pouco depois do início do jogo, até se rodar pela cidade e chegar em casa, a partida já teria se encerrado.
Partindo-se do total desconhecimento, qualquer coisa é coisa. A peça é de humor, ponto. E, um dos seus autores é o Fernando Caruso, que é um cara engraçado, escreve bons textos, outro ponto. De resto, breu. Foram quase uma hora de teatro, mais o atraso para o início. Foi bom para não ver o jogo. Sobre a peça. Então, sobre a peça. São três atos, escritos por três autores, em momentos diferentes. Um escreveu o primeiro (César Amorim), então coube ao segundo (Renata Mizrahi) dar a continuação, e, ao último (Fernando Caruso), o encerramento, já tendo os outros atos sidos escritos. Vinícius Arneiro, indicado ao prêmio Shell de direção, em 2007, por outra peça, e Diego Molina dividem a condução do espetáculo. O interessante da encenação é que, antes de cada ato, é exibido um vídeo de cada autor explicando a sua parte. Ponto positivo para a sinergia entre as atrizes no palco. Apesar da disparidade do talento de Tatjana Vereza, com suas colegas de palco, Tatyanne Lauria e Talita Werneck, as três tem uma ótima química juntas. Ainda assim, falta qualidade para salvar a peça do seu fraco texto. A um espetáculo que se propõe expor uma vida numa loja de acessórios para casa, com patrocínio de lojas do ramo, é inadmissível o cenário capenga, com objetos feios e sem graça adornando o palco.
Talvez o que mais tenha me incomodado, ou agradado, foi o extremo entusiasmo de várias pessoas na platéia. Muitos amigos das atrizes. Risos em seriados de televisão são interessantes, são estimulantes ao sorriso. Isto porque, o seriado, mesmo que mínima, tem graça. “Lar...” não, é fraco. Injustiça minha, (quase) ri em umas três falas. Ainda assim, sempre tendo ver as coisas pelo lado positivo. Como a boa atuação de Tatjana Vereza, e de Diego Becker (que entra em diversas passagens com diferentes personagens). Além de cenas no texto de Fernando Caruso, principalmente no começo do terceiro ato, quando ele ainda tinha paciência para escrever. Parece que depois, Caruso ficou irritado com o trabalho, e deu a solução mais fácil aos personagens. (spoiler) Num ato ríspido, ele leva as atrizes a cometerem suicídio. Diante tal fim, quase fiz o mesmo. Por dez reais, fico pensando se teria sido mais fácil assistir ao jogo. O pior foi não ter conseguido ver a exposição do XIX Salão Carioca de Humor, também no Laura Alvim. Quando cheguei não percebi a entrada para a mostra. E, quando sai, a sala já estava fechada. Pela economia dessa quarta, na próxima semana, no segundo jogo da final da Taça Libertadores, guardo a certeza (e o dinheiro) de / para um bom programa.
A idéia era simples. Fugir do primeiro jogo da final da Taça Libertadores de 2008 entre LDU, do Equador, e Fluminense. Era preciso estar fora da realidade do mundo no horário do jogo. Era preciso uma peça de teatro que fosse tarde. E, que não fosse cara, afinal dinheiro não nasce em árvore, e semana que vem, tem o segundo jogo, ou seja, mais despesas. O denominador comum dessa equação indicou um vencedor, a peça “Lar...”, em cartaz, no Centro Cultural Laura Alvim, em Ipanema. Custava dez reais (meia), e começava às 21h. Ainda que acabasse pouco depois do início do jogo, até se rodar pela cidade e chegar em casa, a partida já teria se encerrado.
Partindo-se do total desconhecimento, qualquer coisa é coisa. A peça é de humor, ponto. E, um dos seus autores é o Fernando Caruso, que é um cara engraçado, escreve bons textos, outro ponto. De resto, breu. Foram quase uma hora de teatro, mais o atraso para o início. Foi bom para não ver o jogo. Sobre a peça. Então, sobre a peça. São três atos, escritos por três autores, em momentos diferentes. Um escreveu o primeiro (César Amorim), então coube ao segundo (Renata Mizrahi) dar a continuação, e, ao último (Fernando Caruso), o encerramento, já tendo os outros atos sidos escritos. Vinícius Arneiro, indicado ao prêmio Shell de direção, em 2007, por outra peça, e Diego Molina dividem a condução do espetáculo. O interessante da encenação é que, antes de cada ato, é exibido um vídeo de cada autor explicando a sua parte. Ponto positivo para a sinergia entre as atrizes no palco. Apesar da disparidade do talento de Tatjana Vereza, com suas colegas de palco, Tatyanne Lauria e Talita Werneck, as três tem uma ótima química juntas. Ainda assim, falta qualidade para salvar a peça do seu fraco texto. A um espetáculo que se propõe expor uma vida numa loja de acessórios para casa, com patrocínio de lojas do ramo, é inadmissível o cenário capenga, com objetos feios e sem graça adornando o palco.
Talvez o que mais tenha me incomodado, ou agradado, foi o extremo entusiasmo de várias pessoas na platéia. Muitos amigos das atrizes. Risos em seriados de televisão são interessantes, são estimulantes ao sorriso. Isto porque, o seriado, mesmo que mínima, tem graça. “Lar...” não, é fraco. Injustiça minha, (quase) ri em umas três falas. Ainda assim, sempre tendo ver as coisas pelo lado positivo. Como a boa atuação de Tatjana Vereza, e de Diego Becker (que entra em diversas passagens com diferentes personagens). Além de cenas no texto de Fernando Caruso, principalmente no começo do terceiro ato, quando ele ainda tinha paciência para escrever. Parece que depois, Caruso ficou irritado com o trabalho, e deu a solução mais fácil aos personagens. (spoiler) Num ato ríspido, ele leva as atrizes a cometerem suicídio. Diante tal fim, quase fiz o mesmo. Por dez reais, fico pensando se teria sido mais fácil assistir ao jogo. O pior foi não ter conseguido ver a exposição do XIX Salão Carioca de Humor, também no Laura Alvim. Quando cheguei não percebi a entrada para a mostra. E, quando sai, a sala já estava fechada. Pela economia dessa quarta, na próxima semana, no segundo jogo da final da Taça Libertadores, guardo a certeza (e o dinheiro) de / para um bom programa.
Assinar:
Postagens (Atom)
