A Bahia é governada pelo carioca-judeu-petista Jacques Wagner. Ele já foi ministro no governo Lula. Imagino o país em reboliço se Wagner anunciasse um calote no BNDES. O presidente Rafael Correa pensou nisso e encontrou um plano de marketing perfeito. Agora, Correa e o Equador estão mais falados que a Bahia. Olha que o PIB baiano é maior que o equatoriano. A Bahia de ACM e Jorge Amando, Raul Seixas e Caetano já não é párea para os R$ 243 milhões que Correa diz todo dia fazer questão de não pagar.
Hugo Chavez consegue atrair a mídia mundial com a revolução bolivariana. O Flamengo deveria fazer um estágio publicitário com ele. Se a Venezuela tem 30 milhões de habitantes, o Flamengo tem o mesmo número de torcedores, mas nem de longe consegue atrair a atenção de europeus e americanos com a mesma intensidade.
A Bolívia então é a palavra em marketing geopolítico. O país pode até ser relativamente grande com a mesma área do Pará, mas o PIB é o mesmo de Rondônia. Se fizéssemos uma enquete sobre capitais, as pessoas demorariam menos tempo para cravar La Paz do que para desistir de Boa Vista, quer dizer Porto Velho. Num ranking de habitantes, a Bolívia seria o sétimo estado brasileiro mais populoso. Que Evo Morales é o presidente boliviano é notório, mas quem são os governadores dos seis estados mais populosos que a Bolívia. A saber: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná? Morales deixou todo mundo para trás.
Resposta: José Serra (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-SP), Sergio Cabral (PMDB-RJ), Jacques Wagner (PT-BA), Yeda Crusis (PSDB-RS) e Roberto Requião (PMDB-
Amigos do PAPO DE POLÍTICA, desculpe-me.
Hoje, por motivos de força-maior não poderei continuar nossa atualização diária. Logo, essa sexta tão cheia de informação.
1. A visita de Oscar Niemeyer a Lula em Brasília. Com Lula reclamando - muito possivelmente com razão, SOMENTE neste caso - do estado de conservação do Planalto.
2. E, a 1º reunião em seis anos de PT do Conselho de Defesa Nacional. Muito papo sobre como nos defenderemos dos ataques urgentes do imperialismo ianque (sic)
Em seminário, organizado pelo Itamaraty, nesta segunda, no Rio de Janeiro, o embaixador do Brasil em Washington Antônio Patriota contou que a relação do país com os Estados Unidos é muito boa. “Creio que estejamos entre os cinco países com melhor diálogo com os americanos”, disse Patriota. Para ele, na gestão Obama, o desafio é tentar manter o nível das conversas e quem sabe aprofundá-las ainda mais.
Hoje, o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim declarou que espera de Obama uma mensagem para garantir a conclusão da rodada de Doha da OMC. “Penso que um encorajamento da próxima administração será um sinal muito positivo e será provavelmente o que precisamos nesse momento final”, disse Amorim a Reuters. A agência escreve sobre as palavras de Amorim “chamando por Obama para mostrar liderança e não se escondendo atrás de formalidades como a administração que está de saída conduz as negociações sobre Doha”.
O governo deve estar confuso. O número 1 do Itamaraty pede mais clareza no diálogo americano. O representante do Brasil em Washington diz que as conversas são muito boas. Lula sempre se deu muito bem com Bush, apesar de não falar uma frase de inglês. Nesse mar de dilemas, o Brasil tem que achar rapidamente seu ponto de convergência sobre o que queremos dos Estados Unidos.
No blog 60 Seconds Science (Ciência em 60 segundos) da revista Scientific American, lembra-se de um trecho do livro de Stephen Younger The Bomb: A New History (A Bomba: Uma nova história) sobre os países que desejaram construir uma bomba atômica. “Suécia, Suíça, Argentina e Brasil flertaram com programas nucleares, e todos decidiram abandoná-los”. Enquanto isso, no site da Voice of America era veiculada a matéria “Irã joga tanto como perigoso como uma oportunidade para a adminstração Obama”, sobre o comportamento volátil do país persa. No texto é citado um ex-oficial da CIA Bob Baer que diz “Nós podemos falar com esses países para abandonarem o programa nuclear. Aconteceu com o Brasil. Aconteceu com a Líbia. Mas nós temos que dar algo em retorno. Em troca aos líbios pararem de construir a bomba abrimos mão do embargo. Temos que fazer o mesmo com o Irã.”
Parece que para se conseguir uma barganha, como o ditador Muammar al-Gaddafi, no poder desde 1969, conseguiu para a Líbia, temos que levar bastante a sério a possibilidade de destruir o mundo com uma bomba atômica.
No que tange as mulheres, o Brasil é um país que se preza, tem uma Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. Nilcea Freire, ex-reitora da UERJ, a frente da pasta, tem status de ministra de Estado. A rigor, Brasília abriga 37 ministros. Duas são mulheres, a outra é Dilma Rousseff da Casa Civil. Seriam cinco, mas Marina Silva (PT-AC) abandonou a pasta do Meio Ambiente, em 2008, após cinco anos de divergências com o presidente Lula. Matilde Ribeiro teve que sair da Secretaria Especial para Igualdade Racial após denúncias de mal-uso do cartão corporativo do governo. Marta Suplicy (PT-SP) ficou um ano no ministério do Turismo (2007-2008). No meio da crise no setor aéreo, quando questionada sobre a situação, ela cunhou a celebre frase aos viajantes “relaxa e goza”, pois ao chegar ao destino se esquece dos problemas. As três foram substituídas por homens. O presidente Lula, em março, aliás, trocou o nome de Nilcea pelo de Matilde.
Nos Estados Unidos, Madeleine Albright foi o nome forte de Bill Clinton na diplomacia entre 1997 e 2001. Hoje, o cargo é ocupado desde 2005 por Condolezza Rice. O futuro presidente dos Estados Unidos Barack Obama já indicou Hillary Clinton como sucessora para o cargo.
No Rio de Janeiro, duas mulheres governaram, em seqüência, o Estado. De abril a dezembro de 2002, com Benedita Silva (PT), e de 2003-2006 com Rosinha Garotinho (PMDB).
Das experiências femininas a conclusão da história é que não houve nada de especial nas gestões. Elas tiveram momentos bons e ruins, como quaisquer outros governos, sejam de homens ou mulheres, brancos ou negros. Por que homens e mulheres comunhão a igualdade. Qualificar alguém pela cor, raça, religião é racismo. Secretaria Especial não foge disso.
Atualização (10/12): Na linha desta mensagem, o site da Folha de S. Paulo publicou um artigo de Iago Bolívar sobre a maneira dúbia como o Brasil conduz a política externa no tocante aos direitos humanos.
Link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u477348.shtml
O ministro da Defesa Nelson Jobim recebe, hoje, o seu par francês, Hervé Morin, para discutir a compra de quatro submarinos da classe Scorpène, o Marlin, ao Brasil. Segundo o site madrilenho Defesa.com, o negócio pode alcançar os R$ 6,8 bilhões. A página informa que a Espanha tem 50% dos direitos sobre a embarcação. O valor, porém ainda está em aberto. Desde janeiro, cogita-se a fabricação da frota no Rio de Janeiro. O Brasil deseja incluir no acordo a transferência de tecnologia para a construção de um submarino nuclear.
Morin negociará também 51 helicópteros Super Cogar para serem fabricados em Itajuba (MG), na companhia Helibrás, cuja francesa Eurocopter tem 45% do capital. Os ministros discutirão sobre o plano de reaparelhamento da Aeronáutica brasileira através da compra de novos aviões-caças. A França tem interesse em vender o avião Rafaele, do fabricante Dassault Aviation.
A vinda do ministro precede a visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao Rio de Janeiro, nos dias 22 e 23 de dezembro, quando é esperado o anúncio da compra dos armamentos. O presidente Lula receberia o ministro Morin no Planalto, mas com a morte do sindicalista Wilson Fernando da Silva, mudou os planos e foi até Sorocaba para o velório do amigo.
Atualização (09/12): O cônsul geral adjunto da França no Rio de Janeiro Gilles Barrier conversou com o PAPO DE POLÍTICA sobre a recusa do ministro Hervé Morin em falar com a imprensa durante sua visita a Brasília. Barrier informou que Morin não se reportou aos jornais por estar no país apenas “cumprindo o protocolo de formalidades que precede a visita oficial do presidente da França, Nicolas Sarkozy”. Ele confirmou as audiências com os ministros da Defesa Nelson Jobim, das Relações Exteriores Celso Amorim e com o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger.
O presidente Luís Inácio Lula da Silva está no poder desde janeiro de 2003. Já são setenta meses. Desde então foram duas entrevistas coletivas: uma em 29 de abril de 2005, a outra em 15 de maio de 2007. Na média de uma a cada três anos. Em nenhuma houve direito a tréplica, a possibilidade de o jornalista comentar a resposta do presidente. A secretaria de Imprensa do Planalto discorda dessa visão. Para ela, somente em 2008, foram 117 coletivas. O que possivelmente faria de Lula o mandatário mais aberto a mídia. Para a secretaria, quando Lula caminha de um discurso, no ponto A, até um helicóptero, no ponto B, e no caminho responde, ou apenas ouve, duas perguntas de alguns repórteres amontoados sobre um cercado, ele está concedendo uma entrevista coletiva. Desde janeiro de 2003, Lula teria dado 376 coletivas.
Ainda assim, esses números são sintomáticos. Em 2004 e 2005, quando começaram a explodir escândalos como a morte do prefeito de Santo André Celso Daniel e o caso do mensalão, Lula só foi a cerca dos jornalistas, no total, 41 vezes. Os números de idas a cerca só ultrapassam as cem por ano depois da reeleição, em 2007 e 2008. Agora Lula pensa que está imune a imprensa. Pensa que está soberano até 2010. PAPO DE POLÍTICA torce para que ele continue pensando.
Sem maior repercussão na mídia carioca, o governador da província argentina de Entre Rios Sergio Urribarri liderou uma comitiva de políticos e empresários ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 03. O par fluminense Sergio Cabral ofereceu um almoço aos platinos. Se mensurasse a repercussão na imprensa entrerriana teria dado logo uma festa. Todos os veículos que repercutiram a visita foram positivos em suas matérias.
A UPA (Unidade de Pronto Atendimento), xodó do futuro prefeito do Rio Eduardo Paes, foi considerada uma mudança (otimista) no sistema de saúde. Urribarri pretende levar essa experiência para sua província de 1,2 milhões de habitantes. A rádio “La Voz” anunciou que os políticos puderam observar na UPA “uma tecnologia de última geração”.
E como é sempre bom massagear o ego, a rádio sentenciou: “Cabe sinalizar que o governador Cabral havia convidado para recebê-lo na manhã do dia seguinte com o presidente Lula, mas Urribarri teve que desistir do convite frente à convocação da presidente Cristina Fernández a (residência presidencial) Quinta de Olivos para esta quinta às 11h”.
O vice-presidente da Comissão Militar da China, general-de-Exército Xu Caihou, em visita ao Brasil, no último dia 27, se encontrou com o presidente Lula, o ministro da Defesa Nelson Jobim e com o comandante da Aeronáutica, o Tenente Coronel do Ar Juniti Saito, de descendência japonesa. O PAPO DE POLÍTICA inquiriu a adida cultural da embaixada chinesa Yu Yue se houve, no encontro, uma conversa sobre um exercício militar conjunto entre Brasil e China. Ela negou, e lembrou que o objetivo da visita é “intensificar a cooperação e comunicação militar entre os dois países”. Nelson Jobim foi convidado para visitar a China e aceitou o convite, no entanto, ainda não há dada marcada a viagem.
A visita faz parte da viagem pela América do Sul para estreitar laços diplomáticos com o continente. Caihou passou pela Venezuela e Chile. Ao mesmo tempo, o presidente chinês Hu Jintao visitou Peru, Costa Rica e Cuba. Na bagagem, os chineses trouxeram de presente um vaso de porcelana e um globo de cristal com a foto de Lula.
Na audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado para debater o desempenho dos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Pequim foi alvo de debate a reeleição indefinida a presidência de federações e confederações esportivas e para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro).
Membro Assembléia Geral do COB Alberto Murray Neto defende a revisão do estatuto da entidade. Ele propõe que o comitê siga o exemplo do COI (Comitê Olímpico Internacional) que permite somente uma reeleição.
Presidente do Instituto Esporte e Educação, Ana Moser acredita que a entidade financiada pelo dinheiro público deve seguir o padrão da democracia para os cargos do Poder Executivo, no qual se concede, no máximo, dois mandatos consecutivos.
Já o secretário nacional de Alto Rendimento do Ministério dos Esportes, Djan Madruga se divide na questão. Enquanto ex-atleta, ele afirma que a prática da reeleição indefinida é “deplorável”, entretanto como gestor público Madruga entende que o país perde prestígio caso ocorra uma troca constante de representantes frente à comunidade internacional.
No início de outubro, Carlos Arthur Nuzman convocou, em regime de urgência, eleições para o COB, do qual é mandatário desde 1995. Os presidentes das confederações receberam aviso via fax sobre as eleições de nove a três dias antes do pleito que reelegeu a chapa única, encabeçada por Nuzman, até 2012. O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira, no cargo desde 1990 e com mandato até 2015, não enviou representantes a votação em protesto ao modo como o processo foi administrado.
Reitor Emérito da Universidade da Paz em Londres, o secretário-geral do Clube de Roma, Martin Lees, define sua instituição como uma ponte entre o mundo científico e a realidade política. Em palestra no CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), ele falou sobre a necessidade urgente de ação quanto ao aquecimento global. Martin destacou a importância de um consenso na questão econômica entre Estados Unidos e China. As duas nações são as maiores emissoras de gás carbônico.
Ele defendeu que a não ratificação americana ao tratado de Kyoto foi um sinal para a falta de obrigação internacional da China com o tema. Para ele, os americanos temem o compromisso com o meio-ambiente enquanto os chineses desprovidos de metas ambientais avancem sobre a economia mundial. Martin salientou que o planeta terá um futuro menos preocupante se o acesso a tecnologias mais limpas for disseminado entre as nações, principalmente a China, onde espera haverá a maior demanda de investimentos em urbanização.
Em A Última Quimera (Companhia das Letras, 1995, 323 páginas), biografia romanceada de Augusto dos Anjos, Ana Miranda revela a fala do parnasiano Olavo Bilac a respeito dos jovens poetas do início do século XX. “Falam apenas sobre mundos degradados, de modo que a literatura se tornou uma enfermaria onde se acolhem os doentes e se observam as moléstias, uma orgia de pessimismos.”
Ao observar a trinca de secretários já selecionados para o futuro governo Eduardo Paes, peço desculpas por ressuscitar a tal “orgia de pessimismos”. São três PhDs em fisiologismo pelas melhores universidades públicas brasileiras.
1. Jandira Feghali (PCdoB), Cultura. Stalinista, Feghali é do PCdoB posseiro da UNE desde 1990. Se pudesse, sindicalizava todos os estudantes sob uma carteirinha da entidade. Governista, a UNE mantém boa relação com Brasília recebendo R$1 milhão por ano do Planalto.
2. Chiquinho da Mangueira (PMDB), Esporte e Lazer. Chiquinho é acusado pelo ex-comandante do 4º BPM (Méier), Erir Ribeiro, de pedir uma trégua no combate ao tráfico no morro da Mangueira, após traficantes reclamarem da queda nas vendas de drogas. A Polícia Federal tem indícios do financiamento pelo jogo do bicho e pela “máfia dos caça-níqueis” para sua campanha a deputado estadual em 2006.
3. Cristiane Brasil (PTB), Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida. Tão indispensável que se criou uma pasta para vossa senhoria, filha do deputado cassado Roberto Jefferson.
Orgias a parte, a cidade torce para que tudo seja um mero mal entendido. Que Jandira, Chiquinho e Cristiane sejam os melhores nomes da nossa cidade para seus respectivos cargos. E que o fisiologismo no Rio de Janeiro se enterre sob a poeira dos velhos dicionários de política do tempo de Olavo Bilac.
Fernando Henrique em seu livro Cartas a um Jovem Político (Alegro, 2006, 194 páginas) diz que não se deve julgar uma pessoa por seus pensamentos, mas por seus atos. A despeito das considerações do ex-presidente, faremos o oposto: vamos avaliar alguém pelos pensamentos. Não como crítica, mas como observação às intenções do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e do quanto podemos julgá-los por estas.
O jornalista Seymour Hersh, ganhador do Pulitzer, revela no livro Cadeia de Comando (Ediouro, 2004, 398 páginas) a história do quase ataque americano ao Brasil. O ano era 2001, e os Estados Unidos acabavam de sofrer seu maior atentado terrorista. O secretário de Defesa Donald Rumsfeld, alguns dias após o fatídico 11 de setembro, pede ao general Charles Holland uma lista de alvos terroristas para retaliação imediata. “O general retornou duas semanas mais tarde com quatro possíveis alvos – fortalezas islâmicas suspeitas na Somália, Mauritânia, Filipinas e na Tríplice Fronteira, ponto onde se encontram Brasil, Paraguai e Argentina. Mas o general também disse a Rumsfeld que um ataque imediato não era possível, porque os militares não possuíam ‘inteligência acionável’ nos alvos propostos, de acordo com um consultor de Defesa. (...) Nos meses seguintes, ‘inteligência acionável’ transformou-se numa máxima ridícula entre os oficiais civis do Pentágono”.
Após a tentativa de golpe contra Hugo Chávez, em 2002, se intensificou a cassada a oposição. A divagante liberdade de protesto fora cessada. O medo fora instalado no país. A história a seguir é de uma refugiada venezuelana – que prefere manter o anonimato – no Rio de Janeiro ao PAPO DE POLÍTICA.
Já em solo brasileiro, ela soube da invasão a casa de seus pais em Caracas, em 2003. Por volta das cinco da manhã, três homens armados invadiram o condômino fechado onde viviam e dominaram os seguranças. O pai que saia para fazer sua caminha matinal foi identificado e amordaçado. Os homens o levaram a sua casa onde perguntaram por seu filho, então com 22 anos. Identificado, ele e sua mãe foram acordados e os três amarrados na sala. Um dos homens pegou sua arma e apontou para a cabeça do filho. Ele apertou o gatilho. A arma falhou. O recado estava dado. O filho havia participado de manifestações anti-chavistas nos dias anteriores. A família, com medo, não denunciou e engoliu a seco a tentativa de assassinato. O rapaz, com medo, nunca mais voltou a falar publicamente sobre política. Hoje, Caracas parece ser uma cidade mais amena. Ela na verdade vive sobre a sombra do medo da delação e da perseguição de Hugo Chavez.
PhD em política por Harvard, Roberta Johnson, professora da Universidade de São Francisco (UCF) em palestra às cabeças do Centro Brasileiro de Estudos de Relações Internacionais (CEBRI), disse que a democracia americana pré-Obama era Branca, Insular e Estreita. Para ela, o sistema político dos Estados Unidos guardava características da influência britânica do tempo das 13 colônias. A professora considerou a campanha do democrata Barack Obama “inclusiva”, uma ruptura às marcas anteriores.
Ela questionou: “porque um desconhecido homem negro com apenas dois anos de Senado ganhou a presidência de um experiente senador branco reconhecido herói de guerra?” Sua resposta: enquanto Obama personificava a idéia de mudança a um país estagnado, John McCain se atolava na conexão inevitável com o presidente George W. Bush. Roberta, contudo, lembrou que se os republicanos votassem em peso semelhante às eleições de 2000 e 2004, o resultado da eleição poderia ter sido diferente.
Após a reeleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva, o prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia lançou o Shadow Cabinet (Gabinete Secreto), uma estrutura paralela aos ministérios oficiais para fiscalizar as atividades do governo. Passados mais de dois anos, Cesar não voltou mais ao assunto. Há cerca de duas semanas quando inquirido pelo PAPO DE POLÍTICA sobre o gabinete, Cesar Maia foi categórico e afirmou que a idéia ganhará força a partir de 2009.
Faltando quarenta dias para o fim do governo frente à cidade, no qual acumulará doze anos de mandato, especula-se sobre seu futuro político. No histórico, ele já aventou a candidatura a presidência em 2006 e tem uma derrota na disputa pelo governo do Estado em 1998. O mais provável é que concorra a uma das duas vagas ao Senado em 2010. Até lá serão dois anos jogando nos bastidores.