sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sexta-Feira, 12

Amigos do PAPO DE POLÍTICA, desculpe-me.
Hoje, por motivos de força-maior não poderei continuar nossa atualização diária. Logo, essa sexta tão cheia de informação.

1. A visita de Oscar Niemeyer a Lula em Brasília. Com Lula reclamando - muito possivelmente com razão, SOMENTE neste caso - do estado de conservação do Planalto.

2. E, a 1º reunião em seis anos de PT do Conselho de Defesa Nacional. Muito papo sobre como nos defenderemos dos ataques urgentes do imperialismo ianque (sic)

Desculpe. Mas hoje não deu.

Aguardem edição extra nesse fim-de-semana.

O diálogo esquizofrênico do Brasil com os EUA

Em seminário, organizado pelo Itamaraty, nesta segunda, no Rio de Janeiro, o embaixador do Brasil em Washington Antônio Patriota contou que a relação do país com os Estados Unidos é muito boa. “Creio que estejamos entre os cinco países com melhor diálogo com os americanos”, disse Patriota. Para ele, na gestão Obama, o desafio é tentar manter o nível das conversas e quem sabe aprofundá-las ainda mais.

Hoje, o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim declarou que espera de Obama uma mensagem para garantir a conclusão da rodada de Doha da OMC. “Penso que um encorajamento da próxima administração será um sinal muito positivo e será provavelmente o que precisamos nesse momento final”, disse Amorim a Reuters. A agência escreve sobre as palavras de Amorim “chamando por Obama para mostrar liderança e não se escondendo atrás de formalidades como a administração que está de saída conduz as negociações sobre Doha”.

O governo deve estar confuso. O número 1 do Itamaraty pede mais clareza no diálogo americano. O representante do Brasil em Washington diz que as conversas são muito boas. Lula sempre se deu muito bem com Bush, apesar de não falar uma frase de inglês. Nesse mar de dilemas, o Brasil tem que achar rapidamente seu ponto de convergência sobre o que queremos dos Estados Unidos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Lição Nuclear do Dia

No blog 60 Seconds Science (Ciência em 60 segundos) da revista Scientific American, lembra-se de um trecho do livro de Stephen Younger The Bomb: A New History (A Bomba: Uma nova história) sobre os países que desejaram construir uma bomba atômica. “Suécia, Suíça, Argentina e Brasil flertaram com programas nucleares, e todos decidiram abandoná-los”. Enquanto isso, no site da Voice of America era veiculada a matéria “Irã joga tanto como perigoso como uma oportunidade para a adminstração Obama”, sobre o comportamento volátil do país persa. No texto é citado um ex-oficial da CIA Bob Baer que diz “Nós podemos falar com esses países para abandonarem o programa nuclear. Aconteceu com o Brasil. Aconteceu com a Líbia. Mas nós temos que dar algo em retorno. Em troca aos líbios pararem de construir a bomba abrimos mão do embargo. Temos que fazer o mesmo com o Irã.”



Parece que para se conseguir uma barganha, como o ditador Muammar al-Gaddafi, no poder desde 1969, conseguiu para a Líbia, temos que levar bastante a sério a possibilidade de destruir o mundo com uma bomba atômica.

Quando as mulheres assumem o poder, os homens se tornam bons

No que tange as mulheres, o Brasil é um país que se preza, tem uma Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. Nilcea Freire, ex-reitora da UERJ, a frente da pasta, tem status de ministra de Estado. A rigor, Brasília abriga 37 ministros. Duas são mulheres, a outra é Dilma Rousseff da Casa Civil. Seriam cinco, mas Marina Silva (PT-AC) abandonou a pasta do Meio Ambiente, em 2008, após cinco anos de divergências com o presidente Lula. Matilde Ribeiro teve que sair da Secretaria Especial para Igualdade Racial após denúncias de mal-uso do cartão corporativo do governo. Marta Suplicy (PT-SP) ficou um ano no ministério do Turismo (2007-2008). No meio da crise no setor aéreo, quando questionada sobre a situação, ela cunhou a celebre frase aos viajantes “relaxa e goza”, pois ao chegar ao destino se esquece dos problemas. As três foram substituídas por homens. O presidente Lula, em março, aliás, trocou o nome de Nilcea pelo de Matilde.

Nos Estados Unidos, Madeleine Albright foi o nome forte de Bill Clinton na diplomacia entre 1997 e 2001. Hoje, o cargo é ocupado desde 2005 por Condolezza Rice. O futuro presidente dos Estados Unidos Barack Obama já indicou Hillary Clinton como sucessora para o cargo.

No Rio de Janeiro, duas mulheres governaram, em seqüência, o Estado. De abril a dezembro de 2002, com Benedita Silva (PT), e de 2003-2006 com Rosinha Garotinho (PMDB).

Das experiências femininas a conclusão da história é que não houve nada de especial nas gestões. Elas tiveram momentos bons e ruins, como quaisquer outros governos, sejam de homens ou mulheres, brancos ou negros. Por que homens e mulheres comunhão a igualdade. Qualificar alguém pela cor, raça, religião é racismo. Secretaria Especial não foge disso.

Atualização (10/12): Na linha desta mensagem, o site da Folha de S. Paulo publicou um artigo de Iago Bolívar sobre a maneira dúbia como o Brasil conduz a política externa no tocante aos direitos humanos.
Link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u477348.shtml

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Nelson Jobim discute com ministro da Defesa francês a compra de equipamentos militares

O ministro da Defesa Nelson Jobim recebe, hoje, o seu par francês, Hervé Morin, para discutir a compra de quatro submarinos da classe Scorpène, o Marlin, ao Brasil. Segundo o site madrilenho Defesa.com, o negócio pode alcançar os R$ 6,8 bilhões. A página informa que a Espanha tem 50% dos direitos sobre a embarcação. O valor, porém ainda está em aberto. Desde janeiro, cogita-se a fabricação da frota no Rio de Janeiro. O Brasil deseja incluir no acordo a transferência de tecnologia para a construção de um submarino nuclear.



Morin negociará também 51 helicópteros Super Cogar para serem fabricados em Itajuba (MG), na companhia Helibrás, cuja francesa Eurocopter tem 45% do capital. Os ministros discutirão sobre o plano de reaparelhamento da Aeronáutica brasileira através da compra de novos aviões-caças. A França tem interesse em vender o avião Rafaele, do fabricante Dassault Aviation.



A vinda do ministro precede a visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao Rio de Janeiro, nos dias 22 e 23 de dezembro, quando é esperado o anúncio da compra dos armamentos. O presidente Lula receberia o ministro Morin no Planalto, mas com a morte do sindicalista Wilson Fernando da Silva, mudou os planos e foi até Sorocaba para o velório do amigo.







Atualização (09/12): O cônsul geral adjunto da França no Rio de Janeiro Gilles Barrier conversou com o PAPO DE POLÍTICA sobre a recusa do ministro Hervé Morin em falar com a imprensa durante sua visita a Brasília. Barrier informou que Morin não se reportou aos jornais por estar no país apenas “cumprindo o protocolo de formalidades que precede a visita oficial do presidente da França, Nicolas Sarkozy”. Ele confirmou as audiências com os ministros da Defesa Nelson Jobim, das Relações Exteriores Celso Amorim e com o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

As entrevistas coletivas de Lula e o milagre da multiplicação no Planalto

O presidente Luís Inácio Lula da Silva está no poder desde janeiro de 2003. Já são setenta meses. Desde então foram duas entrevistas coletivas: uma em 29 de abril de 2005, a outra em 15 de maio de 2007. Na média de uma a cada três anos. Em nenhuma houve direito a tréplica, a possibilidade de o jornalista comentar a resposta do presidente. A secretaria de Imprensa do Planalto discorda dessa visão. Para ela, somente em 2008, foram 117 coletivas. O que possivelmente faria de Lula o mandatário mais aberto a mídia. Para a secretaria, quando Lula caminha de um discurso, no ponto A, até um helicóptero, no ponto B, e no caminho responde, ou apenas ouve, duas perguntas de alguns repórteres amontoados sobre um cercado, ele está concedendo uma entrevista coletiva. Desde janeiro de 2003, Lula teria dado 376 coletivas.

Ainda assim, esses números são sintomáticos. Em 2004 e 2005, quando começaram a explodir escândalos como a morte do prefeito de Santo André Celso Daniel e o caso do mensalão, Lula só foi a cerca dos jornalistas, no total, 41 vezes. Os números de idas a cerca só ultrapassam as cem por ano depois da reeleição, em 2007 e 2008. Agora Lula pensa que está imune a imprensa. Pensa que está soberano até 2010. PAPO DE POLÍTICA torce para que ele continue pensando.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O sonho argentino de Sergio Cabral

Sem maior repercussão na mídia carioca, o governador da província argentina de Entre Rios Sergio Urribarri liderou uma comitiva de políticos e empresários ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 03. O par fluminense Sergio Cabral ofereceu um almoço aos platinos. Se mensurasse a repercussão na imprensa entrerriana teria dado logo uma festa. Todos os veículos que repercutiram a visita foram positivos em suas matérias.

A UPA (Unidade de Pronto Atendimento), xodó do futuro prefeito do Rio Eduardo Paes, foi considerada uma mudança (otimista) no sistema de saúde. Urribarri pretende levar essa experiência para sua província de 1,2 milhões de habitantes. A rádio “La Voz” anunciou que os políticos puderam observar na UPA “uma tecnologia de última geração”.

E como é sempre bom massagear o ego, a rádio sentenciou: “Cabe sinalizar que o governador Cabral havia convidado para recebê-lo na manhã do dia seguinte com o presidente Lula, mas Urribarri teve que desistir do convite frente à convocação da presidente Cristina Fernández a (residência presidencial) Quinta de Olivos para esta quinta às 11h”.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O encontro de Lula com os militares chineses

O vice-presidente da Comissão Militar da China, general-de-Exército Xu Caihou, em visita ao Brasil, no último dia 27, se encontrou com o presidente Lula, o ministro da Defesa Nelson Jobim e com o comandante da Aeronáutica, o Tenente Coronel do Ar Juniti Saito, de descendência japonesa. O PAPO DE POLÍTICA inquiriu a adida cultural da embaixada chinesa Yu Yue se houve, no encontro, uma conversa sobre um exercício militar conjunto entre Brasil e China. Ela negou, e lembrou que o objetivo da visita é “intensificar a cooperação e comunicação militar entre os dois países”. Nelson Jobim foi convidado para visitar a China e aceitou o convite, no entanto, ainda não há dada marcada a viagem.

A visita faz parte da viagem pela América do Sul para estreitar laços diplomáticos com o continente. Caihou passou pela Venezuela e Chile. Ao mesmo tempo, o presidente chinês Hu Jintao visitou Peru, Costa Rica e Cuba. Na bagagem, os chineses trouxeram de presente um vaso de porcelana e um globo de cristal com a foto de Lula.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Reeleição no COB é alvo de debate no Senado

Na audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado para debater o desempenho dos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Pequim foi alvo de debate a reeleição indefinida a presidência de federações e confederações esportivas e para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

Membro Assembléia Geral do COB Alberto Murray Neto defende a revisão do estatuto da entidade. Ele propõe que o comitê siga o exemplo do COI (Comitê Olímpico Internacional) que permite somente uma reeleição.

Presidente do Instituto Esporte e Educação, Ana Moser acredita que a entidade financiada pelo dinheiro público deve seguir o padrão da democracia para os cargos do Poder Executivo, no qual se concede, no máximo, dois mandatos consecutivos.

Já o secretário nacional de Alto Rendimento do Ministério dos Esportes, Djan Madruga se divide na questão. Enquanto ex-atleta, ele afirma que a prática da reeleição indefinida é “deplorável”, entretanto como gestor público Madruga entende que o país perde prestígio caso ocorra uma troca constante de representantes frente à comunidade internacional.

No início de outubro, Carlos Arthur Nuzman convocou, em regime de urgência, eleições para o COB, do qual é mandatário desde 1995. Os presidentes das confederações receberam aviso via fax sobre as eleições de nove a três dias antes do pleito que reelegeu a chapa única, encabeçada por Nuzman, até 2012. O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira, no cargo desde 1990 e com mandato até 2015, não enviou representantes a votação em protesto ao modo como o processo foi administrado.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Clube de Roma: O impasse econômico entre Estados Unidos e China é fonte para o aquecimento global

Reitor Emérito da Universidade da Paz em Londres, o secretário-geral do Clube de Roma, Martin Lees, define sua instituição como uma ponte entre o mundo científico e a realidade política. Em palestra no CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), ele falou sobre a necessidade urgente de ação quanto ao aquecimento global. Martin destacou a importância de um consenso na questão econômica entre Estados Unidos e China. As duas nações são as maiores emissoras de gás carbônico.

Ele defendeu que a não ratificação americana ao tratado de Kyoto foi um sinal para a falta de obrigação internacional da China com o tema. Para ele, os americanos temem o compromisso com o meio-ambiente enquanto os chineses desprovidos de metas ambientais avancem sobre a economia mundial. Martin salientou que o planeta terá um futuro menos preocupante se o acesso a tecnologias mais limpas for disseminado entre as nações, principalmente a China, onde espera haverá a maior demanda de investimentos em urbanização.

A Academia do governo Eduardo Paes

Em A Última Quimera (Companhia das Letras, 1995, 323 páginas), biografia romanceada de Augusto dos Anjos, Ana Miranda revela a fala do parnasiano Olavo Bilac a respeito dos jovens poetas do início do século XX. “Falam apenas sobre mundos degradados, de modo que a literatura se tornou uma enfermaria onde se acolhem os doentes e se observam as moléstias, uma orgia de pessimismos.”

Ao observar a trinca de secretários já selecionados para o futuro governo Eduardo Paes, peço desculpas por ressuscitar a tal “orgia de pessimismos”. São três PhDs em fisiologismo pelas melhores universidades públicas brasileiras.

1. Jandira Feghali (PCdoB), Cultura. Stalinista, Feghali é do PCdoB posseiro da UNE desde 1990. Se pudesse, sindicalizava todos os estudantes sob uma carteirinha da entidade. Governista, a UNE mantém boa relação com Brasília recebendo R$1 milhão por ano do Planalto.

2. Chiquinho da Mangueira (PMDB), Esporte e Lazer. Chiquinho é acusado pelo ex-comandante do 4º BPM (Méier), Erir Ribeiro, de pedir uma trégua no combate ao tráfico no morro da Mangueira, após traficantes reclamarem da queda nas vendas de drogas. A Polícia Federal tem indícios do financiamento pelo jogo do bicho e pela “máfia dos caça-níqueis” para sua campanha a deputado estadual em 2006.

3. Cristiane Brasil (PTB), Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida. Tão indispensável que se criou uma pasta para vossa senhoria, filha do deputado cassado Roberto Jefferson.

Orgias a parte, a cidade torce para que tudo seja um mero mal entendido. Que Jandira, Chiquinho e Cristiane sejam os melhores nomes da nossa cidade para seus respectivos cargos. E que o fisiologismo no Rio de Janeiro se enterre sob a poeira dos velhos dicionários de política do tempo de Olavo Bilac.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O dia do quase ataque americano ao Brasil

Fernando Henrique em seu livro Cartas a um Jovem Político (Alegro, 2006, 194 páginas) diz que não se deve julgar uma pessoa por seus pensamentos, mas por seus atos. A despeito das considerações do ex-presidente, faremos o oposto: vamos avaliar alguém pelos pensamentos. Não como crítica, mas como observação às intenções do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e do quanto podemos julgá-los por estas.

O jornalista Seymour Hersh, ganhador do Pulitzer, revela no livro Cadeia de Comando (Ediouro, 2004, 398 páginas) a história do quase ataque americano ao Brasil. O ano era 2001, e os Estados Unidos acabavam de sofrer seu maior atentado terrorista. O secretário de Defesa Donald Rumsfeld, alguns dias após o fatídico 11 de setembro, pede ao general Charles Holland uma lista de alvos terroristas para retaliação imediata. “O general retornou duas semanas mais tarde com quatro possíveis alvos – fortalezas islâmicas suspeitas na Somália, Mauritânia, Filipinas e na Tríplice Fronteira, ponto onde se encontram Brasil, Paraguai e Argentina. Mas o general também disse a Rumsfeld que um ataque imediato não era possível, porque os militares não possuíam ‘inteligência acionável’ nos alvos propostos, de acordo com um consultor de Defesa. (...) Nos meses seguintes, ‘inteligência acionável’ transformou-se numa máxima ridícula entre os oficiais civis do Pentágono”.

Livramos-nos por pouco.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Como Hugo Chávez tentou matar meu irmão. O medo na ditadura venezuelana.

Após a tentativa de golpe contra Hugo Chávez, em 2002, se intensificou a cassada a oposição. A divagante liberdade de protesto fora cessada. O medo fora instalado no país. A história a seguir é de uma refugiada venezuelana – que prefere manter o anonimato – no Rio de Janeiro ao PAPO DE POLÍTICA.

Já em solo brasileiro, ela soube da invasão a casa de seus pais em Caracas, em 2003. Por volta das cinco da manhã, três homens armados invadiram o condômino fechado onde viviam e dominaram os seguranças. O pai que saia para fazer sua caminha matinal foi identificado e amordaçado. Os homens o levaram a sua casa onde perguntaram por seu filho, então com 22 anos. Identificado, ele e sua mãe foram acordados e os três amarrados na sala. Um dos homens pegou sua arma e apontou para a cabeça do filho. Ele apertou o gatilho. A arma falhou. O recado estava dado. O filho havia participado de manifestações anti-chavistas nos dias anteriores. A família, com medo, não denunciou e engoliu a seco a tentativa de assassinato. O rapaz, com medo, nunca mais voltou a falar publicamente sobre política. Hoje, Caracas parece ser uma cidade mais amena. Ela na verdade vive sobre a sombra do medo da delação e da perseguição de Hugo Chavez.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

EUA: "Democracia Branca, Insular e Estreita"

PhD em política por Harvard, Roberta Johnson, professora da Universidade de São Francisco (UCF) em palestra às cabeças do Centro Brasileiro de Estudos de Relações Internacionais (CEBRI), disse que a democracia americana pré-Obama era Branca, Insular e Estreita. Para ela, o sistema político dos Estados Unidos guardava características da influência britânica do tempo das 13 colônias. A professora considerou a campanha do democrata Barack Obama “inclusiva”, uma ruptura às marcas anteriores.

Ela questionou: “porque um desconhecido homem negro com apenas dois anos de Senado ganhou a presidência de um experiente senador branco reconhecido herói de guerra?” Sua resposta: enquanto Obama personificava a idéia de mudança a um país estagnado, John McCain se atolava na conexão inevitável com o presidente George W. Bush. Roberta, contudo, lembrou que se os republicanos votassem em peso semelhante às eleições de 2000 e 2004, o resultado da eleição poderia ter sido diferente.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Cesar Maia fiscalizará governo Lula em 2009

Após a reeleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva, o prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia lançou o Shadow Cabinet (Gabinete Secreto), uma estrutura paralela aos ministérios oficiais para fiscalizar as atividades do governo. Passados mais de dois anos, Cesar não voltou mais ao assunto. Há cerca de duas semanas quando inquirido pelo PAPO DE POLÍTICA sobre o gabinete, Cesar Maia foi categórico e afirmou que a idéia ganhará força a partir de 2009.

Faltando quarenta dias para o fim do governo frente à cidade, no qual acumulará doze anos de mandato, especula-se sobre seu futuro político. No histórico, ele já aventou a candidatura a presidência em 2006 e tem uma derrota na disputa pelo governo do Estado em 1998. O mais provável é que concorra a uma das duas vagas ao Senado em 2010. Até lá serão dois anos jogando nos bastidores.

sábado, 5 de julho de 2008

Entraram vinte e dois, saíram dezenove. No Bahia X Avaí, nada disso fez diferença

Em Feira de Santana, na 9º rodada da 2º divisão, Bahia vence e derruba o último invicto

Ninguém aprende inglês conversando com alguém que também não saiba. Repetindo os mesmos erros, são capazes até de descobrirem uma nova gramática. Num jogo de segunda divisão do campeonato brasileiro o esquema é o mesmo. As equipes, tão limitadas, se ofuscam no breu técnico em campo. Ninguém força ninguém em nenhuma jogada. Toda a partida acontece num marasmo, sem habilidade, sem finta. Só na base da vontade, da correria, e das faltas. Muitas faltas. Foi mais ou menos assim a nada brilhante partida entre Bahia e Avaí, pela 9º rodada do brasileiro da 2º divisão.

Aos três minutos, a bola rolava mansa para o goleiro avaiano, Eduardo Martini. Quando sem explicação, o zagueiro Ozéia resolveu chutar a pelota pela linha lateral. Os dois tiveram um breve desentendimento e o defensor achou por bem terminar a discussão com um empurrão no seu próprio goleiro. Fiquei imaginando como um cara daquele poderia ser titular numa equipe profissional. Pouco tempo depois, o mesmo zagueiro fez uma falta e levou amarelo. Aos vinte e nove minutos, ainda na primeira etapa, se envolveu em outra confusão (dessa vez com o adversário) e foi expulso. Foi quando a televisão mostrou o volante Cocito se aquecendo. Nesse momento entendi porque o zagueiro era o titular. A semelhança entre Cocito e coice não deve ser mera coincidência. Cocito foi titular do Atlético Paranaense vice-campeão da Libertadores, em 2005. Perderam para o São Paulo. Para entender a fama do jogador é mais fácil perguntar aos atletas que tiveram tatuadas em sua canelas, as travas da chuteira do volante. Bem, hoje Cocito é reserva do Avaí. E ele acabou não entrando em campo.

No segundo tempo, outro jogador avaiano, o meia Marquinhos, também recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Ele foi punido por puxar o cabelo do adversário. Sua explicação ao sair do campo. “Eu o puxei. Acabei puxando o cabelo. Nunca vi puxão de cabelo ser agressão.” O meia nunca deve ter visto briga de mulher. Para não dizer que o (péssimo) árbitro foi tendencioso, o volante Fausto, do Bahia, também fez por merecer o segundo amarelo, e, ser devidamente convidado a se retirar de campo. O nível técnico era tal que mais um, menos três dava no mesmo. Não havia trabalho de equipe. Quem fazia o jogo eram os pequenos lampejos de um ou dois jogadores.

Interditado desde o acidente na final da terceira divisão, que levou o Bahia de volta a divisão de acesso nacional, o Fonte Nova não pode ser utilizado. Na ocasião, a arquibancada cedeu matando sete torcedores. Depois de Camaçari, foi a vez de Feira de Santana, a “princesa do sertão”, receber o privilégio de abrigar a equipe baiana. 3.360 pagantes prestigiaram o certame. No estádio Jóia da Princesa, onde a bola rolava limpa como nas areias da praia, a equipe anfitriã derrubou a invencibilidade do Avaí. 2x1. De virada. O Avaí marcou numa cobrança de falta do meia Marquinhos, o volante Marcos Vinícius escorou e abriu o marcador, aos cinco minutos de partida. 0x1. Ainda no primeiro tempo, depois de pressionar bastante, o Bahia chegou ao merecido empate, após um rebote, nos pés do atacante Galvão. 1x1 O jogo diminui de ritmo. Na segunda etapa, aos três minutos, o volante Emerson chutou fraco e fechou o placar. 2x1 Bahia

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Se testando em novos palcos, “Comédia em pé” tem tudo para ser o Cats carioca.

Tal como Einstein, peça mostra que o humor também é relativo, depende do público.

Fazer humor, ao contrário do que alguns possam imaginar, não é fácil. É bem difícil, aliás. Isto porque, não existe uma lei que determine o que é engraçado e o que não é. Tudo depende de quem vê, lê ou ouve. Se for um programa de tv, quem não gosta muda o canal. Se for um livro, não lê. E se for uma peça de teatro? Não ri. Pronto, acabou a diversão para todo mundo. O riso é contagiante. Não são, sem razão, as risadas enlatadas em seriados. Aquilo acaba funcionando. Inconsciente, nós acabamos aceitando que a piada é engraçada. E, voltando ao teatro, se a pessoa não ri, por analogia, nós aceitamos que a piada não é engraçada. Mesmo que pensemos o contrário. “Comédia em pé” agora em cartaz, também, no Teatro Miguel Fallabela, no Norte Shopping, testa seu humor a cada apresentação. E, às vezes, pode ser que acabe perdendo.

A proposta do Comédia é bem simples. Falar sobre o cotidiano de forma engraçada. Só que ao contrário de uma peça de humor, ela é uma apresentação de piadas. Pelo menos a forma mais próxima de definir o espetáculo é como um conto de piadas. E se as pessoas não riem, a animação cai. Porque não tem uma encenação para continuar seu enredo, independente de tudo e todos que estão assistindo. O que tem é um cara que dialoga com o público e se este público não responde, não tem conversa. Acaba o assunto. E, em casa nova, com menos de 20% da lotação, o Comédia caiu. Não que não fosse engraçado. Mas ouvindo o eco das poucas pessoas, o vazio se fazia mais presente. O que é engraçado fica meia-boca. O que não é muito divertido fica sem graça. A peça pede público, ela necessita disso. Pode ser que num futuro, não tão distante, quando não estiver muito cheio, eles coloquem umas risadas prontas no fundo.

No palco, Cláudio Torres Gonzaga faz o papel do mediador do encontro. Talvez por ser o mais engraçado de todos. O que menos precise de recursos corpóreos e piadas de anatomia para arrancar algumas risadas. Fábio Porchat é bem histriônico, mas faz o seu papel. Fernando Caruso é econômico, mas bom. E Paulo Carvalho é o amigo dos três. Sabe o amigo. Então é o amigo. O quarteto sempre recebe um convidado. Quanto ao convidado, isso depende da noite que você for. Mas por via das dúvidas é melhor conferir no site da trupe para saber sobre quem vai. Aproveite a internet e imprima o panfleto que faz a peça custar mais barato que meia-entrada ($18). Se preferir, ir na quinta ou sexta-feira no Norte Shopping, neste caso a meia é mais econômica ($15).

A comédia em pé, o stand-up comedy, tem tudo para pegar no Brasil. É um formato simples de se construir, barato, que depende apenas do talento individual do apresentador. E contar piada é um dom que muito brasileiro tem. Não gosto muito dessas máximas alemão é assim, argentino é assado. Mas, há de se convir que brasileiro sabe rir da própia cara. Da própia miséria, da própia besteira. E o interessante da comédia em pé, como eles mesmos assumem no início, é quem não tem nada disso. Não acrescenta nada é puro besteirol. Talvez por isso seja tão engraçado. E de tão certo. Desde de que com o público adequado.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

“Le Fin de Terres”, da cia. Philippe Genty, é um colírio aos olhos

Peça da 6º FIL é uma das inúmeras atrações voltadas ao público infantil.

Dar uma chance à revitalização do centro da cidade pode ser o início de um excelente programa. Dentro da programação do 6º Festival Intercâmbio de Linguagens, voltado ao público infantil, vários teatros da região central do Rio de Janeiro foram escalados para a encenação das peças. O Centro Cultural Banco do Brasil, o Caixa Cultural e o João Caetano. No fim-de-semana de estréia, o grande destaque foi a montagem de “Le Fin de Terres”, pela companhia francesa Philippe Genty, no centenário palco da Praça Tiradentes. Mais do que destaque da estréia, a peça tem tudo para ser a grande atração do festival.

Ainda antes do início, na rua, centenas das pessoas que aguardavam para entrar no teatro acompanhavam o ensaio de uma companhia de dança num casarão perto. Ao lado do João Caetano, de frente para o Real Gabinete Português de Literatura, no Centro Cultural Carioca, a companhia ensaiava um samba. A princípio, o espetáculo “Bota a Baixo”, tem estréia prevista para nove de agosto. Passados meia-hora, o povo toma rumo ao evento principal da noite.

Sem o recurso do diálogo, através da exploração de um universo de cores, luzes, bonecos e mágica, o espetáculo é rico, dinâmico e inteligente. Apesar de voltado a crianças, não haverá adultos que resistiram aos encantos da encenação. Desde 1968, quando criou a companhia, Philippe Genty vem aprimorando a técnica da trupe no exercício da imaginação infantil. O veterano ator traz ao palco mais seis camaradas, além de três técnicos responsáveis pelas complexas transições no espetáculo. Desde o primeiro minuto, o público é convidado a uma série de trocas entre personagens e atores, e de bonecos e atores. De modo que não se sabe onde um saiu para a entrada do outro. A magia é tão intensa que por vezes se esquece que se está num teatro. Mais do que os efeitos do cinema, a peça leva o espectador a uma outra dimensão sensorial. “Le Fin de Terres” é dessas apresentações que elevam o teatro a um outro patamar.

A luz intelectual provedora da peça se deve ao próprio Philippe Genty e a Emmanuel Laborde. Ambos mostram uma sintonia única na concepção visual do belíssimo espetáculo. Um contraste de luzes com objetos e atores fascinantes. Não menos especial é a música criada por Serge Houppin e Henry Torgue. Se não há falas durante a encenação, a lógica se constrói muito graças à genialidade musical. Que cai como uma luva às esquetes do roteiro. A sintonia tanto das luzes quanto da música com o desenrolar no palco faz a diferença para construção desse grande espetáculo.
A peça que esse ano se apresentou na Áustria e na Itália, no Brasil visita, além do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Londrina e Florianópolis. E deve passar pela Austrália no fim do ano. Pela 6º FIL, são esperadas outras atrações internacionais. Além de Philippe Genty, estão programadas companhias da Alemanha, Israel, Bélgica, e outra francesa. Alguns espetáculos serão casados com grupos teatrais brasileiros, e serão apresentados como “Work In Progress”(ainda em desenvolvimento). Bom divertimento

terça-feira, 1 de julho de 2008

Artigo: O samba do flamenguista confuso

Sou rubro-negro há vinte e um anos. O que pode parecer pouco à velha geração. Mas, insisto, é tempo suficiente para saber como as coisas funcionam por essas bandas. E nesse tempo, é fácil perceber a alegria inata e inocente do torcedor do Flamengo. Cada vitória é comemorada como um título, ao passo que cada derrota é chorada como o fim do mundo. É um terreno de extremos, de difícil compreensão aos não-iniciados nessa arte de ser um torcedor de futebol. Os três pontos num fim-de-semana podem, na cabeça no rubro-negro, significar que o seu time é melhor do que a própia seleção brasileira. Isso pode até soar exagerado, mas é apenas o que o pequeno sussurro diz ao pé do ouvido do torcedor. Nesse embalo, qualquer vitória é o pontapé inicial para algo maior. Na mente do flamenguista, esse algo maior sempre é e será Tóquio. A conquista do mundial de 1981 permanece viva na memória de quem viveu ou não aquele momento. E como se não houvesse passado, presente ou futuro. E como se o Flamengo, a partir daquela conquista, fosse eternamente o campeão do mundo. A simples vitória do fim de semana, seja contra o Olaria, o Figueirense ou o São Paulo, fosse o passo inicial para confirmar a máxima do domínio do mundo pelo rubro-negro. Tóquio é a representação da vontade de poder do flamenguista.

Como já repetimos, “Rumo a Tóquio”, ao final de cada partida vitoriosa no Maracanã. E nesse meu curto tempo, nunca vi o Flamengo tão embalado como em 2007. Foi a melhor participação do time num campeonato brasileiro desde a última conquista nacional em 1992. Estávamos na zona de rebaixamento, e num instante, com a torcida lotando o maraca, pulamos para terceiro. Só não fomos campeões por que não deu tempo. O próprio presidente Márcio Braga disse isso. Ah se a nossa reação tivesse começado algumas rodadas mais cedo. Ainda assim, fomos para a Libertadores. Mais uma vez iríamos disputar a maior competição do continente. Uma das maiores do mundo. Para o flamenguista, um mero estágio antes da consagração máxima no Japão. Em 2008, tudo ia bem. Campeão estadual. A primeira fase da Libertadores no papo. Até que o Brasil assistiu ao maior e mais doloroso maracanazo. Fomos eliminados da Libertadores. Mas não foi uma derrota qualquer. Tínhamos ganhado na quarta-feira, no México, do time deles por 4x2. Abrimos dois gols de vantagem. No domingo, batemos o Botafogo e conquistamos o Estadual. Aquela quarta a noite era de festa. Nosso técnico, o da arrancada do Brasileiro, do título do Estadual, da Libertadores, estava se despedindo, iria para a África do Sul comandar a seleção anfitriã da Copa do Mundo de 2010. Aquela quarta seria de festa. O outro time, último colocado do campeonato mexicano, com dois gols de desvantagem, não seria adversário para o Flamengo. E não foi. O Flamengo dominou toda a ação da partida. Eles só subiram ao ataque três vezes. O Flamengo não conseguiu fazer nenhum gol. Eles conseguiram fazer três. Fomos eliminados.

Desde o dia sete de maio, o Rio vive de luto. O Flamengo tem um número considerável de torcedores para por a cidade de luto. A derrota era ainda maior ao ver os outros times da cidade indo bem em suas competições paralelas. Os rubro-negros ainda assistiram a Vasco e Botafogo chegarem as semifinais da Copa do Brasil. Era a possibilidade de uma final carioca, e a certeza de um rival na Libertadores. Da onde o nosso time havia sido defenestrado. Felizmente, ambos foram eliminados pelo Sport e Corinthians, respectivamente. Mas, o inferno ainda não tinha acabado. Desde 1985, dois times cariocas não participavam da Libertadores. Na época, ambos caíram na primeira fase. Agora, não. Nós havíamos ido até as oitavas. Mas, o Fluminense continuava, contra tudo e contra todos. Eles estavam na final. Era o pequeno e insignificante time, com um mísero título brasileiro (nós temos cinco) querendo igualar nossa maior marca. Eles também queriam Tóquio. Era o inferno sem fim do flamenguista.

O pequeno detalhe. O Flamengo vive o seu melhor momento na história recente do campeonato brasileiro. Dos últimos vinte anos, no mínimo. Ele é, após oito rodadas, líder isolado, com o maior número de vitórias, o melhor ataque, o melhor saldo de gols. Ainda tem o vice-artilheiro, coisa rara por aqui. Motivo mais do que suficiente para todos gritarmos: “Rumo a Tóquio”. Mas a cidade está de luto. Não há uma única camisa do time pelas ruas. Ninguém tem coragem de comemorar o melhor campeonato da equipe. O Flamengo está enterrado sobre seu orgulho. Enquanto a dor de acompanhar o rival chegar cada vez mais longe no campeonato que era para ser seu, o rubro-negro não terá motivos para sorrir. A torcida leva para a arquibancada a faixa: “Brasileiro é obrigação”. Nos somos lideres. A obrigação está sendo comprida. Mas o que é obrigação não se comemora, não se parabeniza. O Flamengo está crescendo está se impondo a vencer. O Flamengo que é maior do que tudo, chegou ao patamar máximo de sua grandeza. Não comemora mais vitórias. E como se tudo, a partir de agora, fosse tão normal que não é digno de se comemorado. O Flamengo morreu para os flamenguistas. Morreu até o momento em que o tão insignificante rival que há pouco tempo estava na última divisão do brasileiro, na Série C, morra, definitivamente, para o futebol. Em cada garganta rubro-negra rasga, ainda que sem jeito, o grito: Vamos LDU!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Basquete Masculino: Brasil vence a segunda na série amistosa contra a Venezuela.

No Maracanãzinho, seleção se despede e prepara o embarque para o Pré-Olímpico.

Na noite de sexta-feira, a Seleção masculina de basquete venceu a segunda e última partida na série amistosa contra a Venezuela. O confronto foi a despedida da seleção, que embarca na próxima semana para a Grécia, dando início a fase final de preparação para o Pré-Olímpico. Desde a aposentadoria da Seleção do Mão Santa, Oscar Schmidt, o Brasil não disputa uma Olimpíada. A última foi em Atlanta, em 1996. A esperança sobre a geração que colocou mais jogadores na NBA se transformou em desilusão quando os atuais três brasileiros da Liga Norte-Americana pediram dispensa por contusão. Além deles, outros dois atletas se afastaram por motivos pessoais ou físicos. Enfraquecida, a Seleção que jogou contra a Venezuela e que tentará o feito histórico no Pré-Olímpico na Grécia jogará contra o derrotismo e a desesperança do público brasileiro, e na última sexta, mostrou que ainda falta entrosamento e confiança dos jogadores para se poder pensar o contrário.

Por 84x61, o Brasil derrotou a Venezuela num sonolento amistoso. O público presente ao estádio do Maracanãzinho pareceu entrar no clima aéreo do confronto. A torcida mostrou-se apática em relação ao jogo apresentado. Em quase a totalidade da disputa, reinava um silêncio da arquibancada. Silêncio não, o murmurinho de quem aproveitava a ocasião para colocar o papo em dia. Nem a descontextualizada torcida organizada trazida pela patrocinadora da Confederação de Basquete mudou o panorama. Ao contrário, o grupo de cerca de cem pessoas gritava totalmente alheio ao que se passava em quadra. Não importavam se o lance era para o Brasil ou não, eles estavam em seu próprio mundo fazendo suas brincadeiras e palhaçadas. Chegando a irritar quem tentava pacificamente assistir ao jogo.

A seleção jogava como se fosse ganhar a qualquer hora. O que não deixava de ser verdade. Ainda assim, a nenhuma equipe do mundo sem títulos para por na mesa é permitido tal atitude esnobe. Tanto foi que o Brasil perdeu o segundo quarto de partida (o único nos dois confrontos) por 20x19. No mais, o amplo domínio verde e amarelo prevaleceu. No Brasil, do técnico espanhol Moncho Monsalve, o destaque foi o ala/armador Alex Garcia (Maccabi Tel Aviv /ISR) com 13 pontos e 5 rebotes. O armador Marcelo Huertas (Bilbao /ESP) foi cestinha da partida com 16 pontos. Além de Huertas, o ala/armador Marcelinho Machado (Flamengo/Petrobrás), com 13 pontos, e o ala Jonathan Tevarnari (Brigham Young University /EUA), com 12, figuram como os cestinhas da equipe.

Os pivôs Murilo, Baby e Batista também tiveram boa atuação. Murilo Becker (Maccabi Tel Aviv/ ISR), com 8 pontos e 7 rebotes, Rafael “Baby” (Spartak St. Petersburg /RUS), com 7 pontos e 7 rebotes, e JP Batista (Barons de Riga /LET), com 4 pontos e 8 rebotes, mostraram a força do garrafão brasileiro. Na partida anterior, o também pivô Tiago Splitter (Tau Cerâmica /ESP) marcou um double double com 20 pontos e 10 rebotes. Segurança no garrafão e destreza no ataque, uma ótima combinação para levar o Brasil de volta ao sonho olímpico, a Pequim.